Levantamento aponta que a região tem a menor adesão ao TEAcolhe no Estado

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Levantamento aponta que a região tem a menor adesão ao TEAcolhe no Estado

Dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) revelam que a Zona Sul lidera lacunas no atendimento a crianças com autismo

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Atualizado segunda-feira,
13 de Abril de 2026 às 13:35

Levantamento aponta que a região tem a menor adesão ao TEAcolhe no Estado
Região apresenta índices abaixo da média estadual no acesso à saúde e à educação por crianças com TEA (Foto: Jô Folha)

A Macrorregião Sul do Rio Grande do Sul apresenta o menor índice de adesão ao programa estadual TEAcolhe RS, com indicadores de 68% de engajamento com a iniciativa. O dado faz parte de um diagnóstico da organização das redes municipais realizado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) ao final de 2025, que destaca a região negativamente em comparação a outras áreas do Estado.

No caso da Serra e da região dos Vales, o cenário é de quase universalização do serviço, com índices de adesão de 98% e 96,8%, respectivamente. Os números colocam a Zona Sul abaixo da média estadual de 85,6% e evidenciam uma disparidade no acesso à rede de cuidados estruturada no RS.

Além da baixa integração com a política pública, a região também contrasta com o padrão gaúcho quanto à inclusão escolar. Enquanto a média de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em turmas comuns no Estado gira em torno de 87% a 88%, a região Sul registra apenas 70,8% no Ensino Fundamental e 76% na Educação Infantil.

Fila de espera

Esse cenário é puxado principalmente pela carência de profissionais especializados. Segundo o relatório, faltam profissionais de apoio escolar em 24% dos municípios da região, o índice mais alto do RS. Para se ter ideia da disparidade, o percentual é mais do que o dobro da média estadual (11,1%).

Áreas como os Vales registram apenas 3,2% de municípios com falta desses profissionais, e a região Norte apresenta 6,9%. Regiões como o Centro-Oeste e Metropolitana também ficaram acima da média estadual, com 21,4% e 19,7%, respectivamente.

Sobrecarga

Além disso, a região apresenta proporções de alunos por professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE) bastante acima da média estadual. Na Educação Infantil, a média da região Sul é de 31,7 alunos por professor, quase o dobro da média do Rio Grande do Sul, que é de 17,4. Já no Ensino Fundamental, a sobrecarga também aparece: são 25 alunos para cada professor de AEE no Sul, enquanto a média do Estado é de 13,1.

Diagnóstico e estrutura

O levantamento também aponta dificuldades no fechamento de diagnósticos, com 16% das crianças da região aguardando mais de um ano pela emissão do laudo definitivo. A região Metropolitana registra o pior cenário do Estado, com 31,4% das crianças esperando pelo diagnóstico por mais de doze meses. Em contraste, a região Norte apresenta a maior agilidade, com apenas 8,3% dos casos enfrentando essa demora.

Atualmente, a rede municipal da Macrorregião Sul atende 54.933 alunos, o que representa 8,3% de todas as matrículas de educação básica municipal do Estado nessas etapas. Para dar conta dessa demanda, a região dispõe de 485 escolas (9% do total estadual) distribuídas entre seus 25 municípios.

Redes em expansão

Para Camila Mulazzani, referência do TEAcolhe na Zona Sul, a baixa adesão ao programa pode estar ligada às dimensões geográficas da região. “Alguns municípios, pelas longas distâncias, optam por equipes municipais próprias”, explica. Ela ressalta que o foco atual é expandir o acesso e a divulgação, já que todos os municípios possuem referência para os Centros de Atendimento em Saúde (CAS).

Estratégia contra as Filas e o Diagnóstico Tardio

A estratégia para reduzir o tempo de espera, segundo Camila, aposta na ampliação da rede especializada. Recentemente, a região, que já contava com cinco centros em Rio Grande, Pelotas, Pedro Osório, Piratini e Jaguarão, habilitou novos serviços em São Lourenço do Sul e Capão do Leão.

Ela enfatiza que o diagnóstico fechado não deve ser uma barreira para o cuidado: “O acesso ao TEAcolhe pode ocorrer a partir da suspeita, sem a necessidade de laudo definitivo”, afirma, alinhando-se à diretriz de intervenção precoce.

O papel do matriciamento

Quanto à fragilidade na articulação entre saúde e educação, o programa aposta no matriciamento realizado pelos Centros Regionais (CRR) e Macrorregionais (CMR). Essas unidades têm a função de capacitar equipes locais e auxiliar na construção de fluxos intersetoriais, fortalecendo a rede de proteção no território.

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