Odonto da UFPel colabora na construção de diretrizes nacionais para a prática clínica

Saúde

Odonto da UFPel colabora na construção de diretrizes nacionais para a prática clínica

Elaboração de 22 documentos do Ministério da Saúde partiu da iniciativa pelotense

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Odonto da UFPel colabora na construção de diretrizes nacionais para a prática clínica
Recomendações deverão impactar na qualidade do serviço prestado. (Foto: Jô Folha)

A Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Pelotas teve papel fundamental na construção das 22 diretrizes clínicas nacionais voltadas à Atenção Primária à Saúde. O trabalho integra um projeto de pesquisa da pós-graduação e reúne professores preocupados com a qualidade das informações que circulam, especialmente nas redes sociais.

De acordo com o professor Eduardo Dickie de Castilho, a iniciativa surgiu justamente da necessidade de enfrentar a disseminação de conteúdo sem embasamento científico. “A gente construiu um grupo de professores preocupados com informações que vinham pelas redes sociais sem uma evidência científica. A ideia foi, através de um grupo institucionalizado, criar condições de esclarecer essas informações de forma impessoal, sem expor os professores, dando um caráter mais formal para qualificar o tipo de informação que é passada”, explica.

Interesse do Ministério da Saúde

A proposta chamou a atenção do Ministério da Saúde, que passou a apoiar a iniciativa. A partir disso, foi encomendado o desenvolvimento de um conjunto de diretrizes clínicas. “O Ministério teve conhecimento da proposta e, após uma conversa inicial, realizou uma encomenda de 22 diretrizes para a prática clínica baseada em evidências, visando não apenas trazer informações baseadas em evidências, mas também de uma forma mais fácil de ser absorvida e implementada na rede pelos profissionais de saúde na área de odontologia”, destaca o professor.

Na prática, segundo Castilho, elas representam um avanço direto no atendimento, especialmente ao público infantil. “As diretrizes estabelecem parâmetros para atendimento e boas práticas, além de permitir a atualização dos profissionais, e reforçar os princípios do SUS de universalidade, integralidade e equidade, uma vez que reconhecem o direito ao atendimento odontológico às crianças como uma ação no SUS de forma ampla e justa”, afirma.

O professor também destaca o impacto na qualidade do serviço prestado. “Elas possibilitam atendimentos com efetividade comprovada, garantindo maior resolutividade e segurança nos atendimentos realizados a essa parcela da população”, acrescenta.

Trabalho de abrangência nacional

A expectativa é de que as recomendações sejam aplicadas em toda a rede de Atenção Primária do SUS. Em Pelotas, os atendimentos podem ocorrer tanto nas unidades básicas de saúde quanto por meio de encaminhamento para a própria Faculdade de Odontologia da UFPel.

Além de contribuir para a qualificação do atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), a parceria também reforça o papel da universidade na formação de profissionais mais preparados para a realidade da saúde pública. “Hoje, a formação da força de trabalho em saúde é direcionada para a atuação no SUS. Entendemos que, além das habilidades clínicas, são necessários conhecimentos em gestão, planejamento, entre outros”, afirma.

Segundo Castilho, o envolvimento direto com o Ministério da Saúde coloca a instituição em evidência nacional. “Essa parceria coloca a Faculdade de Odontologia e a UFPel em evidência, mostrando a convicção da instituição em cumprir diretrizes e apoiar outras instituições nesse sentido”, conclui.

Sobre as diretrizes

O professor destaca que o conjunto foi pensado para abranger as principais dúvidas da prática clínica odontológica. “A proposta foi elaborar 22 diretrizes, trabalhando especialmente com aspectos que geram mais dúvidas em relação ao manejo correto. Isso acaba cobrindo uma série de situações, desde a cárie na primeira infância até cáries radiculares, mais frequentes em pacientes idosos”, explica.

Segundo ele, o material também contempla públicos específicos e diferentes condições clínicas. “As diretrizes abordam populações específicas, como gestantes e pacientes em tratamento oncológico, além das doenças mais prevalentes, como cárie, doença periodontal e gengivite. Também incluem orientações sobre tratamentos restauradores, sensibilidade, dores na articulação e até o diagnóstico de lesões de câncer bucal”, completa.

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