Uma inovação que materializa a inteligência artificial e permite ao usuário interagir de forma natural, como se estivesse falando com uma pessoa. É isso que faz a Euvatar, por meio de avatares humanizados treinados com bases de dados personalizadas conforme o desejo de cada cliente. Criada pela pelotense e jornalista Flávia Peres, a tecnologia tem o propósito de transformar narrativas e a comunicação mediada por IA em uma experiência imersiva.
A Euvatar ganhou destaque nacional ao dar vida a Machado de Assis para a Academia Brasileira de Letras (ABL) e permitir que os visitantes pudessem fazer a pergunta que ronda o imaginário de quem leu Dom Casmurro: Capitu traiu ou não Bentinho? O avatar do escritor é apenas um dos exemplos criados pela empresa em apenas três anos no mercado.
Para atender a um evento sobre oncologia da farmacêutica AstraZeneca, nasceu a Doutora Astra. Uma personagem que, abastecida com dados de pesquisas científicas sobre 16 diferentes tipos de tumores, comunicava as descobertas técnicas em linguagem acessível para os participantes. Da medicina ao entretenimento, a Euvatar já teve entre seus clientes a Netflix. Em 2023, foi responsável por ações de realidade aumentada para a divulgação da série Sex Education. Já na região Sul e no Estado, foram atendidos por avatares a Expofeira de Pelotas, o Sebrae, o Banrisul, entre outras marcas.
A diversidade de clientes da Euvatar demonstra as diferentes finalidades que podem ser mediadas pela tecnologia chamada de “story living”. Conforme a criadora, transformar a inteligência artificial em uma experiência física, com corpo, rosto e voz, torna a interação uma imersão profunda. E isso captura o bem mais valioso para as marcas na era digital: a atenção do cliente.
“A Euvatar trabalha criando esse tipo de experiência que primeiro coloca o consumidor no centro da narrativa, porque ele constrói junto o que a gente chama de story living, a história que é vivida”, diz a jornalista. Os avatares são feitos de diferentes formas conforme a utilização, seja para recepcionar o público em um museu, para informar sobre vendas de imóveis para uma imobiliária ou para orientar sobre determinados conteúdos ou produtos.
“O treinamento dele depende muito do escopo e do local onde ele vai estar inserido, da quantidade de dados com que ele é treinado ou das habilidades que ele tem. Por exemplo, eles podem estar em escolas, universidades, podem estar conversando com os alunos”, diz.
A tecnologia para comunicar
Apesar de ter sido criada oficialmente em 2023, a ideia da Euvatar nasceu durante a pandemia. No período de isolamento social, Flávia começou a estudar como a tecnologia e a inteligência artificial poderiam ser usadas na agência de comunicação que ela tinha na época. “E aí entendi que a gente passaria a se comunicar com uma camada tecnológica cada vez mais presente no nosso dia a dia. Como eu trabalho com comunicação focada em marketing e publicidade, entendi que a experiência faria cada vez mais parte da nossa vida”, conta.
Com essa compreensão, Flávia passou a experimentar criações em realidade aumentada com machine learning, dando origem ao seu primeiro avatar — uma representação digital de si mesma. “E, a partir disso, naturalmente, com essa aplicação que me avatarizava, empresas passaram a nos procurar para entender o que nós estávamos fazendo”, diz.
A jornalista conta que os clientes começaram a chegar antes mesmo de a Euvatar se estabelecer como empresa. “E, até hoje, aquela tecnologia é muito inovadora, porque, em tempo real, ela rastreava o rosto e conseguia entender aqueles traços e avatarizar”, destaca.
Uso inovador da IA
Com a disponibilidade da inteligência artificial, seja geração de texto, imagens ou vídeos, é difícil conseguir reverter a ferramenta em algo ainda mais inovador. Mas Flávia explica que o grande diferencial da Euvatar foi justamente integrar as soluções de IA disponíveis para desenvolver uma tecnologia ativa.
“O grande diferencial do que a gente faz aqui, além de trazer interação em tempo real, é trazer uma camada humana. Porque tu estás conversando com alguém. A gente dá mais um salto, transformando em algo cada vez mais natural”, salienta.
A originalidade da Euvatar é registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Um dos diferenciais da empresa é a garantia da segurança de dados. As informações fornecidas por cada cliente para a personalização do avatar são mantidas em confidencialidade, ao contrário das plataformas de IA que armazenam dados dos usuários.
“Nós ficamos um bom período só assinando documentações de confidencialidade por conta do tipo de treinamento que foi feito para a Doutora Astra”, exemplifica Flávia.
Embaixadora
A Euvatar tem chamado a atenção para além das fronteiras do país. Devido à notabilidade dos avatares, recentemente ela foi convidada para ser embaixadora global, no Brasil, da HeyGen, plataforma reconhecida mundialmente pela geração de vídeos realistas com inteligência artificial.
O chamado consolida a trajetória da Euvatar dentro do cenário de inovação e economia criativa. Mas, conforme Flávia, a inovação da empresa não para nos avatares e deve alcançar novos produtos ainda neste ano.
Entre as novidades, uma será voltada para a imersão na área de eventos e outra para o consumidor final. “Porque hoje a gente trabalha com grandes empresas, mas a gente passa agora a chegar um pouquinho mais perto do público em geral”, diz. Além disso, a Euvatar terá uma parceria com uma instituição de ensino superior para a formação de alunos no uso de tecnologias com inteligência artificial. “A gente tem grandes lançamentos para fazer este ano”, conclui.
