Voltado à valorização da cultura nativista, começa nesta quinta-feira (2), a 19ª Jerra da Canção Nativa, em Santa Vitória do Palmar, o evento integra o projeto Páscoa da Canção, que está levando múltiplas atrações culturais àquela comunidade desde segunda-feira, de forma gratuita, na praça General Andréa, centro histórico do município. Competem este ano 14 composições, duas delas classificadas em primeiro lugar no 1º Banhado da Canção e na 8ª Monta da Canção, festivais realizados na cidade no ano passado. As dez finalistas escolhidas voltam ao palco no sábado, às 21h e as vencedoras serão conhecidas na primeira hora da madrugada de domingo.
A Jerra da Canção surgiu em 1985 com o objetivo de fomentar a cultura musical rio-grandense e se consolidou no calendário da música nativista do Estado. Há cinco anos tem sido realizada durante o feriadão da Páscoa, o que tem aumentado o fluxo turístico em torno do evento.
Coordenador do festival, o músico Kininho Dornelles destaca que a proposta vai além da música, articulando cultura e turismo em um dos períodos mais movimentados da região. “É uma época em que a cidade recebe muitos visitantes, inclusive pela proximidade com o Uruguai. Os hotéis e restaurantes ficam lotados e o festival contribui diretamente para essa movimentação”, afirma.
Dornelles lembra ainda que desde o fim da pandemia os festivais voltaram com força no Estado, o que tem causado coincidência de datas entre os certames. O que não ocorre com a Jerra, que é a única festividade no gênero neste período. “Santa Vitória do Palmar se torna a capital do nativismo”, fala Dornelles.
Todos os estilos nativistas
Este ano, a seleção da Jerra da Canção recebeu 275 composições vindas de diferentes regiões do Rio Grande do Sul e também de Santa Catarina. O festival mantém como marca a diversidade dentro da música nativista.
“A gente não trabalha com linhas separadas. Aqui convivem estilos como a música campeira, de projeção e até influências latino-americanas, sempre valorizando a cultura regional”, explica o coordenador. A 19º edição terá como jurados: Fabiano Bacchieri, Aline Ribas e Negrinho Martins. Além das apresentações competitivas, o evento contará com participações especiais.
Programação artística
A programação da Páscoa das Canções inclui, desde o início da semana, oficinas e atividades culturais, como ações em parceria com a Embrapa envolvendo o butiá, fruta típica da região, que também inspira uma das composições concorrentes.
Além das composições do certame, o festival levará ao público diferentes apresentações artísticas. Nesta quinta, na abertura, haverá chegada do Coelho Gaúcho, às 19h, show com grupo Regalo, às 20h, seguida pela apresentação das primeiras sete concorrentes, às 21h, e encerramento com o músico uruguaio Carlos Malo, a partir das 22h30min.
Na abertura da noite de sábado, às 20h, o próprio Kininho sobe ao palco em um show especial ao lado da família Dornelles, convidada da Camerata Negrinho Martins. O show, intitulado Sons do Pampa pelos Campos Neutrais, comemorará os 41 anos da expressiva e reconhecida carreira do intérprete e compositor Kininho Dornelles, artista premiado em festivais nativistas, que se apresentará ao lado dos filhos, Marina e Felipe Dornelles.
A Camerata, que leva o nome do multi-instrumentista, maestro, compositor e arranjador João Marcos Negrinho Martins, tem sido presença diferenciada e autêntica nos principais eventos do Rio Grande do Sul, com ênfase para o Festival Internacional Sesc de Música, contemplando os mais variados palcos e espaços, numa real promoção da popularização da arte. O artista atua como regente da Orquestra do Sesc e idealizador e coordenador do Projeto Orquestrando Sonhos.
A Páscoa das Canções será realizada até domingo, às 19h, quando será encerrada com a encenação do espetáculo Paixão de Cristo. A programação completa pode ser acessada pelo perfil da prefeitura de Santa Vitória do Palmar no Facebook ou pelo @jerradacancao no Instagram.
Composições concorrentes
Quinta-feira (2)
- Um preparo de butiá ( Wagner Holbig)
- Espectro (Rômulo Chaves/Éverson Maré)
- Estropiado (Carlos Omar Vilella Gomes/ Arisson Martins)
- O vento e a flor (Sidney Bretanha/Miguel Vidal/Alexander Ferreira)
- Romance do meu oveiro (Filipe Lisboa/Filipe Corso)
- Ressurreição (Matheus Bauer/Éverson Maré)
- Roseta (Frederico Cardoso)
Sexta-feira (3)
- Barra (Roberto Borges)
- Movimento (Otávio Lisboa/Maurício Oliveira/Satyro Gonçalves)
- A tava dos bois de antes (Evair Gomes/Leonardo Borges/Quinto Oliveira)
- Olhares de pulpeiria (Matheus Costa/Ingrid Dors)
- Honorato e Fioravante (Marcelo Gomez /Marcelo Ocaña)
- Poesia da alma (Lauri Lopes/Sátiro Gonçalves)
- Pedra Moura (Evair Gomes/Quinto Oliveira)