A quarta edição do Fórum de Desenvolvimento da Economia Azul chegou ao fim ontem, em Rio Grande. Integrando a programação do Festival do Mar (Festimar), o último dia teve como destaques as discussões sobre os potenciais do turismo náutico, a aplicabilidade da inovação na criação de oportunidades para a economia voltada para o mar, e a relação entre porto e cidade.
O coordenador de Relações Institucionais da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e diretor-presidente da APL Marítimo RS, Arthur Gibbon, destaca que o evento, apesar de realizado anualmente em Rio Grande, tem caráter integrativo e regional. “Esse desenvolvimento pela economia azul não é de Rio Grande, é da nossa região. Toda ela é beneficiada e precisa estar atenta para essas oportunidades que a gente viu aqui nesses três dias”, reforça.
Sobre o sucesso de mais uma edição, Gibbon afirma que diversas ideias e articulações foram possibilitadas e encaminhadas a partir dos painéis. No entanto, também reconhece que o trabalho pela economia azul começa a partir do fórum, de forma a colocar em prática todas as ideias formadas, e que isso depende de integração e empenho de todos os entes sociais. “É importante que as lideranças empresariais, lideranças acadêmicas, políticas, lideranças da sociedade civil, unam-se e que tenham uma visão conjunta de futuro. Vamos trabalhar para fazer isso acontecer”, garante.
Turismo náutico
A partir das discussões propostas pela edição passada do fórum, foi possível a retomada da regata náutica Rio de La Plata, após 50 anos da sua última edição. O retorno contou com a articulação de diversas instituições, não só de Rio Grande, mas do Uruguai e da Argentina, e reforçou a importância econômica dos esportes náuticos para a economia, principalmente de cidades litorâneas. “Representa uma nova era da economia azul. Nessa edição, saímos da bolha e nos integramos com a sociedade”, diz Henrique Ilha, diretor de Meio Ambiente da Portos RS e representante do Rio Grande Yacht Club.
Com o sucesso desta edição, foi anunciado durante o encontro que a Regata Rio de La Plata será um evento anual.
O secretário de Desenvolvimento, Inovação, Turismo e Economia do Mar (Smditmar), Vitor Magalhães, reafirmou o trabalho conjunto para ampliar as frentes para desenvolvimento do município e que a regata foi um dos exemplos disso. “Resgatamos parte da história da nossa cidade”, diz.
O sul do Brasil responde por 74% da produção de embarcações para esporte e recreação nacional. Neste sentido, o presidente da Associação Náutica Brasileira (Acatmar), Leandro Ferrari, trouxe o caso catarinense de gestão integrada entre entidades marítimas e poder público, e reforçou a importância do desenvolvimento de um turismo de experiência. “Poucas cidades têm o que vocês [Rio Grande] têm, vocês têm uma cultura e uma história com o mar. Nós [turismo náutico] não somos coisa para rico, somos fonte de renda, geramos emprego”, afirma.
Para contribuir com o desenvolvimento das práticas no município, Ferrari sugeriu a criação de um grupo de trabalho, unindo poder público e entidades relacionadas com o mar, visando o desenvolvimento econômico através das práticas.
Porto-cidade
O papel social do Porto de Rio Grande foi outro destaque durante o último dia de evento. O diretor do complexo de museus da Furg e do CCMar, Lauro Barcellos, destacou o trabalho realizado com os jovens rio-grandinos, onde o mar torna-se objeto de estudo e fonte de transformação social com cursos gratuitos ofertados. Além disso, com projetos como Cruzeiro do Saber, executado em parceria com a Otroporto, é ampliada a conexão dos jovens com os recursos hídricos e promovida uma sala de aula descentralizada, colocando os alunos como protagonistas do seu próprio processo de aprendizagem.
O diretor de Relações Institucionais da Portos RS, Sandro Oliveira, apresentou o projeto “Minha Cidade tem um Porto”, de idealização da autoridade portuária e que reforça a relação harmônica e integrada entre porto e cidade. O projeto será realizado nos Portos de Pelotas, Porto Alegre e Rio Grande, com o objetivo de valorizar a relação entre os portos públicos e as comunidades em que estão inseridos. Em Rio Grande, a iniciativa já está em andamento e serve de base para a expansão das ações aos demais portos do Estado.
