“É um instrumento democrático. Qualquer pessoa pode tocar, sem precisar de conhecimento prévio. Não tem como errar”

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“É um instrumento democrático. Qualquer pessoa pode tocar, sem precisar de conhecimento prévio. Não tem como errar”

Rafaela Haveroth, Bacharel em Música - Composição

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“É um instrumento democrático. Qualquer pessoa pode tocar, sem precisar de conhecimento prévio. Não tem como errar”
(Foto: Arquivo pessoal)

Recém-formada em música pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Rafaela Haveiroth transformou o trabalho de conclusão de curso em um projeto que une arte, tecnologia e experimentação. Ela desenvolveu o “Biruta”, um sintetizador modular analógico construído manualmente, que propõe uma nova forma de fazer e aprender música, sem regras rígidas e com espaço para brincadeiras.

O que é o Biruta e por que esse nome?
É um sintetizador modular analógico construído manualmente. Eu o desenvolvi como meu trabalho de conclusão de curso, mas ele acabou virando um projeto maior, tanto artístico quanto de pesquisa. Eu me inspirei na ideia dos “jesters”, que são os bobos da corte, que trazem leveza e brincadeira. Também pensei naquele personagem Biruta, o pica-pau meio maluco. A ideia era criar um instrumento onde não existe erro, algo mais livre e divertido.

Como funciona o instrumento?
Ele trabalha com sinais elétricos simples, basicamente 0 e 1, que fazem o alto-falante vibrar. A frequência dessas vibrações define o som, se ele é mais grave ou mais agudo. Ele possui algumas caixinhas, que eu chamo de gabinetes. Dentro deles ficam os módulos, que são partes independentes do sintetizador. Cada módulo tem uma função e eu posso conectar eles de várias formas.

É verdade que dá para controlar o som com luz?
Sim. Alguns módulos usam sensores de luz que alteram a resistência elétrica. Isso muda a velocidade do sinal e, consequentemente, o som.

O Biruta é um sintetizador modular analógico construído manualmente(Foto: Rafaela Haveroth)

O Biruta segue as regras da música tradicional?
Não. Ele não exige partitura, nem nota certa, nem compasso. A ideia é focar na experiência sonora, na textura, no ritmo, de forma mais intuitiva.

Qual o principal diferencial do projeto?
Ele é democrático. Qualquer pessoa pode tocar, sem precisar de conhecimento prévio. Não tem como errar.

O Biruta pode ser usado para ensino?
Sim. Eu percebi um potencial didático muito grande, tanto para ensinar música quanto conceitos de eletrônica e criatividade. Como ele não tem regras fixas, a pessoa aprende explorando.

Qual a principal mensagem do projeto?
É incentivar a criatividade, a experimentação e mostrar que a música pode ser mais livre. Também é uma forma de questionar estruturas muito rígidas, tanto na arte quanto em outras áreas.

Como foi a avaliação do trabalho e quais foram os desdobramentos?
Eu recebi nota máxima e também um incentivo para continuar desenvolvendo o projeto dentro da academia. Isso foi muito importante porque mostrou que esse caminho mais experimental também tem espaço na universidade.

O instrumento é permanente?
Não necessariamente. Ele é um projeto meio efêmero, porque vai se desgastando com o tempo. Mas isso também faz parte da proposta, de estar sempre em transformação.

Quais são os próximos passos?
Continuar construindo novos módulos e explorar mais esse lado educativo. Também quero produzir conteúdo e compartilhar conhecimento com outras pessoas interessadas.

Outras pessoas podem construir o Biruta?
Sim. Eu deixei todos os esquemas e instruções no meu TCC. A ideia é justamente que outras pessoas possam replicar e experimentar também.

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