A geração mais triste da história

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A geração mais triste da história

A geração mais triste da história
(Foto: Divulgação)

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada na última semana pelo IBGE, entrevistou mais de 118 mil adolescentes brasileiros. Os números são estarrecedores: 30% se sentem tristes quase o tempo todo. 42,9% ficam irritados ou nervosos por qualquer coisa. 18,5% pensam que a vida não vale a pena ser vivida. E 30% já pensaram em se machucar de propósito. Além disso, 100 mil estudantes já cometeram alguma autolesão no país. Mais de um quarto dos jovens sentem que ninguém se importa com eles. Um terço acredita que seus pais não entendem seus problemas e 20% foram agredidos fisicamente em casa.

Os números são piores para as meninas: a perda de vontade de viver atinge duas vezes mais garotas do que garotos. Mais de 40% também têm insatisfação com a própria imagem corporal – um índice que era de 70,2% em 2015. Diante dos números estarrecedores listados aqui, e que são apenas um recorte dos diversos índices da ampla pesquisa, o único questionamento possível é: como chegamos nesta situação? É urgente que ações sejam tomadas o mais rápido possível para compreender o cenário geral e tentar revertê-lo.

A geração dos jovens atuais vem de um turbilhão social: cresceram em meio à recessão econômica do país, tiveram uma pandemia em um período delicado de formação e socialização. Crescem também em um momento em que a internet é parte fundamental de suas rotinas e a socialização nos meios digitais, todos sabem, é mais complexa. Diante disso tudo, é preciso ouvir os anseios dessa geração. Em um período que se fala tanto em saúde mental, criarmos a geração mais triste da história é um indicativo de que estamos falhando com os mais jovens.

Historicamente as gerações antigas são severas e críticas com os jovens. Certamente há quem leia os dados e ache que é ‘frescura’. Mas quando há tanta gente sofrendo por questões mentais, precisamos entender. Quais são seus anseios. Quais suas dores. Como os adultos podem ajudar. Como a sociedade precisa mudar. Afinal, eles são o esteio do futuro. Eles que comandarão o mundo ali na frente. Para os mais velhos, é obrigação entregar um mundo melhor e acolhedor.

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