Páscoa mais cara leva consumidores a parcelar ovos e buscar alternativas em Pelotas

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Páscoa mais cara leva consumidores a parcelar ovos e buscar alternativas em Pelotas

Em Pelotas, a média de preço de um ovo de 150 gramas está em R$ 76,00

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Atualizado quarta-feira,
01 de Abril de 2026 às 13:20

Páscoa mais cara leva consumidores a parcelar ovos e buscar alternativas em Pelotas
(Foto: Jô Folha)

Para devorar um ovo de Páscoa não precisa muito tempo. Mas para pagar a conta é possível fazer em longas parcelas. Assim, o comércio consegue movimentar as vendas diante de preços elevados dos produtos à base de chocolate. Em Pelotas, a média de preço de um ovo de 150 gramas está em R$ 76,00. Mas o grande vilão é a barra de chocolate, que cai bem como lembrancinha, mas teve aumento de 8,07%. Já a caixa de bombons reduziu 2,08%. Diante desse cenário, tanto a produção industrial quanto a artesanal buscam alternativas criativas para atrair a clientela, e tem até console de videogame pronto para ser devorado, além de ovos mais nutritivos. Nas lojas especializadas, a aposta são os brinquedos para atrair a criançada. Em meio a tantas alternativas, o Procon está de olho nos produtos ofertados para garantir uma compra consciente e mais segura.

O órgão de proteção ao consumidor realizou uma pesquisa de preços em alguns dos principais supermercados e macro atacados da cidade, reunindo em uma tabela o menor valor encontrado, o mais alto e a média de preços de produtos tradicionais da data. A pesquisa continua sendo uma das principais ferramentas para quem deseja economizar, já que a variação entre estabelecimentos pode ser significativa (veja quadro).

Além do preço, o Procon alerta que o consumidor deve observar outros fatores na hora da compra. Entre eles, estão as condições de armazenamento dos alimentos e o estado das embalagens, que devem estar intactas e sem sinais de danos. Também é importante verificar se o rótulo apresenta todas as informações obrigatórias, como lista de ingredientes, data de validade e dados nutricionais, fundamentais especialmente para pessoas com restrições alimentares.

Nos casos de ovos de Páscoa que acompanham brinquedos, bastante procurados pelo público infantil, a orientação é verificar se o item possui o selo de aprovação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e se a embalagem informa a faixa etária recomendada. A dica é exigir a nota fiscal em todas as compras. O documento é essencial para garantir troca ou registrar reclamações em caso de defeito ou irregularidade no produto.

Presente ou presentinho?

Enquanto alguns consumidores pesquisam preços, outros optam por adaptar o tipo de presente. A entregadora Diovana Hornke Ferreira, 27, não encontrou muita diferença nos valores em relação ao ano passado, mas busca equilibrar as compras. “Não está tão caro, mas ainda está pesado no bolso”, comenta. Segundo ela, a estratégia é escolher melhor para quem dar presentes mais elaborados e optar por alternativas mais simples para outras pessoas.

Entre os consumidores ouvidos pela reportagem, também há quem tenha trocado o tradicional ovo de chocolate por lembrancinhas. Para Paula e Rodrigo, por exemplo, a mudança foi uma forma de manter a tradição da data sem comprometer tanto o orçamento. “Agora é mais lembrancinha. Para as crianças a gente procura dar algo um pouco melhor”, relatam. Apesar disso, eles avaliam que os preços seguem altos.

Feito em casa

Para atrair clientes em meio aos custos elevados do chocolate, produtores artesanais têm apostado em criatividade e personalização. Em Pelotas, a confeiteira Gabrielly Ribeiro explica que a produção de ovos de Páscoa surgiu a partir de pedidos dos próprios clientes. Com apoio da família, ela trabalha o conceito de confeitaria afetiva, que busca despertar memórias e sentimentos associados à comida caseira. “A ideia é que a pessoa coma um bolo ou um chocolate e lembre de momentos em família, como um café na casa da avó ou um bolo feito em casa”, explica.


Confeiteiros artesanais apostam na personalização e criatividade para atrair clientes (Foto: Jô Folha)

Na chocolateria artesanal, a produção inclui opções tradicionais e também novidades que surgem a cada ano. Apesar disso, Gabriela observa que muitos clientes da cidade continuam preferindo sabores clássicos. Entre os recheios mais procurados estão combinações com geleias artesanais produzidas na própria confeitaria, além de frutas, castanhas e cremes tradicionais como brigadeiro e leite em pó com creme de avelã. “O ninho com Nutella é campeão entre as crianças”, comenta.

A confeiteira explica que o aumento no preço do cacau também impactou a produção artesanal. Para manter a qualidade sem elevar excessivamente os preços, a estratégia é combinar o chocolate com outros ingredientes que agreguem sabor e valor ao produto. “A gente busca recheios e elementos que complementem o chocolate sem perder qualidade, mas que permitam manter um preço mais acessível”, afirma.

Neste ano, uma das tendências apontadas pelos clientes são opções consideradas mais nutritivas, com maior presença de castanhas e frutas, além de preparações com menos ingredientes industrializados. Mesmo com os desafios, Gabriela diz que a produção artesanal tem conquistado um público fiel. “Nossos clientes costumam voltar todos os anos. A gente mantém uma produção menor justamente para preservar a qualidade e esse atendimento mais próximo”, relata.

 

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