Os preços dos combustíveis seguem em alta em Pelotas, com aumentos tanto na comparação semanal quanto no acumulado desde fevereiro. Dados do Levantamento de Preços de Combustíveis (LPC), da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostram que o diesel lidera as elevações, enquanto gasolina e etanol apresentam alta mais moderada.
Na última semana analisada, entre 22 e 28 de março, o diesel S-10 teve a maior variação, com alta de 3,7% em relação à semana anterior. No acumulado desde fevereiro, o aumento chega a 23%. O diesel comum também registra forte avanço no período, com alta próxima de 20%.
Procon investiga cadeia de preços
O Procon de Pelotas acompanha o cenário e realiza uma análise detalhada para entender a origem dos aumentos. A última pesquisa do órgão foi no dia 13 de março. A próxima deverá sair assim que os dados recolhidos entre 16 e 17 de março sejam avaliados. Segundo o coordenador do órgão, Cristoni Costa, foram solicitadas notas fiscais de compra e venda de combustíveis a 48 postos do município. “Foi repassado um volume muito grande de documentos e notas, e estamos finalizando essa avaliação para ter um parecer técnico sobre esse aumento”, afirmou.
O objetivo é identificar se os reajustes ocorreram na ponta final, nos postos, ou se já chegam elevados das distribuidoras. “Se foi o posto, se tem alguma abusividade, ou se o valor já está vindo alto das próprias distribuidoras.”
De forma preliminar, o Procon já identifica que os aumentos não se concentram apenas na revenda. “Com base nas informações iniciais, o preço do combustível já está chegando muito alto para os postos de gasolina.”
Fiscalizações e operação nacional
Além das ações locais, o Procon também participou de uma operação nacional de fiscalização em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), realizada nas rodovias BR-116, BR-293 e BR-392.
Durante a operação, oito postos localizados às margens das rodovias foram fiscalizados. Foram solicitadas notas fiscais de entrada e saída dos combustíveis, com prazo de cinco dias para apresentação.
A ação seguiu orientação do Ministério da Justiça e da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), com foco inicial nos estabelecimentos em rodovias federais. “Fomos auxiliar a PRF, solicitando notas fiscais para fazer um diagnóstico e identificar se há reajuste abusivo para o consumidor final.”
Distribuidoras pressionam preços
Um dos pontos que mais chama atenção nas apurações é a influência das distribuidoras no aumento dos preços. De acordo com o Procon, há indícios de que os postos estão recebendo combustíveis já com valores elevados, além de enfrentarem limitações no volume de compra. “Os postos relatam que pedem um volume maior e recebem quantidades menores. Isso faz com que cheguem cargas com preços diferentes praticamente todos os dias.”
Esse cenário ajuda a explicar a variação frequente percebida pelos consumidores. “A gente recebe denúncias de que o preço muda diariamente. Num dia está 6,69, no outro 6,79, depois 6,89”, explica.
Orientação é pesquisar o preço
Diante do cenário, o Procon orienta os consumidores a pesquisarem preços antes de abastecer, aproveitando diferenças entre postos e programas de desconto. “A concorrência ainda é o principal regulador. O consumidor precisa buscar o menor preço disponível”, finaliza
