Em meio à safra e a um cenário internacional ainda instável, a indústria do arroz da região sul do Estado segue operando com bons indicadores de mercado. A avaliação é de representantes da Nelson Wendt Alimentos, produtora do arroz ‘Emoções’, uma das empresas mais tradicionais do setor, que destacam crescimento nos preços, avanço nas exportações e fortalecimento do consumo interno.
De acordo com o gerente comercial da empresa, Márcio Jandt, o momento é considerado positivo, mesmo com fatores externos pressionando custos. “A gente vê esse período como um bom momento. Apesar da guerra e do aumento do diesel, que impacta diretamente nos fretes, o mercado está firme e o produtor mais organizado na comercialização”, afirma.
Um dos principais indicadores dessa recuperação é o preço pago ao produtor. No início da safra, a saca de arroz era cotada em torno de R$ 57 na região. Hoje, já gira próximo dos R$ 63. “Ainda não é o ideal, mas já representa uma melhora importante”, pontua.
A indústria segue recebendo grande volume de produção e operando em ritmo intenso. Parte do arroz é comercializada imediatamente, enquanto outra parcela fica armazenada para venda futura. Ao mesmo tempo, o mercado interno tem respondido bem. “Nas últimas semanas, as vendas foram muito boas, o que ajuda a sustentar esse movimento de alta”, completa Jandt.
Outro fator relevante é o desempenho das exportações, que já representam cerca de 40% das vendas da empresa. A executiva Luiza Wendt explica que o arroz parboilizado é o principal produto enviado ao exterior, com destaque para mercados da América do Sul, Europa e Oriente Médio. “O parboilizado tem uma aceitação muito grande fora do Brasil, principalmente pelo rendimento e pela característica de ficar soltinho, o que é essencial para a culinária de alguns países”, explica.
Apesar disso, o cenário internacional impõe incertezas. Com conflitos em regiões estratégicas, embarques para o Oriente Médio estão temporariamente suspensos. “Hoje existe muita insegurança logística. Navios podem ficar parados sem conseguir descarregar, então estamos aguardando para retomar os envios com mais segurança”, relata.
Mesmo com essas dificuldades, o mercado externo segue sendo visto como essencial para o crescimento do setor.
Parboilizado ganha espaço e muda perfil de consumo
Tradicionalmente, o arroz branco é o mais consumido no Brasil. No entanto, a indústria observa uma mudança gradual no comportamento do consumidor. Na empresa, o parboilizado já representa cerca de 75% das vendas.
Segundo Jandt, esse avanço está ligado à evolução dos processos industriais e aos benefícios do produto. “Com a modernização da parboilização, houve um ganho de qualidade muito grande. Hoje, além de mais nutritivo, ele também tem preço competitivo”, afirma.
A própria história da empresa está ligada a essa transformação. O fundador, Nelson Wendt, foi um dos pioneiros no desenvolvimento de técnicas mais modernas de parboilização, substituindo métodos antigos por processos a vapor, mais eficientes e limpos.
Tradição familiar e inovação sustentam crescimento
Fundada na década de 1960, a empresa mantém até hoje uma gestão familiar, agora com a participação da terceira geração. Luiza destaca que os valores deixados pelo avô seguem presentes no dia a dia da operação. “A gente continua investindo em tecnologia e expansão, mas sempre mantendo os princípios que ele nos ensinou. Isso faz diferença, principalmente quando trabalhamos com um alimento que vai direto para a mesa das pessoas”, diz.
A estrutura atual inclui unidades industriais, centros de distribuição no nordeste e operações logísticas voltadas tanto ao mercado interno quanto à exportação. Só na operação principal, são mais de 300 funcionários.
O destino da produção também impressiona. Grande parte do arroz beneficiado segue para o nordeste brasileiro, onde a marca da empresa lidera o mercado há anos. Outra parcela é destinada ao exterior, reforçando a presença do produto regional em diferentes continentes.
Tecnologia e controle garantem qualidade
Um dos pontos que mais chamam atenção na indústria é o nível de automação. Diferente dos antigos engenhos, marcados por poeira e trabalho manual, o processo atual é praticamente todo mecanizado. “O arroz não é tocado. Desde a chegada até o empacotamento, tudo passa por sistemas automatizados, o que garante mais qualidade e segurança alimentar”, explica Jandt.
A combinação entre tradição, inovação e abertura de mercados ajuda a explicar o bom momento vivido pelo setor. Para a indústria local, o arroz segue sendo um símbolo da força econômica da região.
