No começo do mês, no Dia Internacional da Mulher 2026, escrevi sobre feminicídio e o que te impedia de ser a próxima vítima. Coincidentemente ou não, fechamos março com o triste acontecimento no IFSul Pelotas. Convido a relerem esse texto, no qual falo sobre como é importante ensinarmos nossos meninos a tratar nossas meninas, para que crimes como esse não aconteçam. Infelizmente, provei meu ponto de uma das piores formas possíveis.
No bloco de notas do meu celular, anoto todas as possíveis pautas para a coluna, e não era essa a que eu tinha em mente para hoje. Eu adoraria trazer o que havia planejado, mas fica para a próxima. Se eu abordasse qualquer outra pauta, não seria certo. Apesar de estamparmos os jornais com o tema, daqui a um mês ele será esquecido. Mas as meninas viverão com o trauma por uma vida inteira.
No dia do protesto em frente à instituição, verifiquei os comentários da publicação da notícia. Um menino comentou: “Por que toda essa comoção? É apenas um pedaço de papel”. O adolescente acredita que isso não é apenas um insulto, como também não representa a ameaça de um crime.
A maioria das pessoas na manifestação eram meninas, que, inclusive, merecem todo o reconhecimento por, diferentemente dos autores da lista, se exporem. E, infelizmente, é por isso que lemos esse tipo de comentário. Homens só respeitam homens, só escutam homens.
No texto do dia 8 de março, escrevi a respeito do tema e, aparentemente, preciso escrever de novo. Precisamos da ajuda dos nossos meninos conscientes: corrijam seus amigos, não encorajem comportamentos tortos, denunciem, se pronunciem, avisem suas amigas.
O texto da edição passada tinha como título “O que te impede de ser a próxima?”. Agora, caso os meninos permaneçam nesses grupos, mesmo os que não tenham nenhuma ligação com os autores do crime, poderão ouvir: “O que te impede de ser o próximo?”