Odontologia da UFPel é destaque em ranking internacional

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Odontologia da UFPel é destaque em ranking internacional

Curso pelotense ficou entre os 150 melhores do mundo

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Atualizado sexta-feira,
27 de Março de 2026 às 09:28

Odontologia da UFPel é destaque em ranking internacional
Avaliação considera redes acadêmicas e internacionalização (Foto: Jô Folha)

A Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) foi destaque no QS World University Rankings by Subject, posicionada na faixa entre as 51 e 150 melhores do mundo na área. O resultado repete o desempenho do ano anterior e é visto pela direção como reflexo da qualidade do ensino, da pesquisa e da inserção internacional da instituição. Elaborado pela consultoria britânica Quacquarelli Symonds, esse é um dos principais rankings internacionais de ensino superior. A classificação avalia universidades e cursos em todo o mundo a partir de critérios como reputação acadêmica, avaliação de empregadores, impacto das pesquisas e grau de internacionalização.

O diretor da unidade, Otávio D’ávila, afirma que o reconhecimento internacional considera indicadores estratégicos para a universidade. “Recebemos com extremo otimismo e satisfação essa notícia. O ranking da QS é reconhecido internacionalmente e aborda aspectos muito preciosos, como a qualidade do ensino, o impacto das pesquisas e a opinião dos empregadores sobre os profissionais que formamos”, destaca.

Segundo ele, a avaliação também leva em conta a capacidade de atrair estudantes estrangeiros e consolidar redes acadêmicas. “Hoje temos estudantes estrangeiros em intercâmbio e uma rede internacional já estabelecida na pós-graduação, o que mostra nossa capacidade de atrair alunos de fora”, disse.

Desafios para subir de patamar

D’ávila ressalta ainda que os rankings devem ser analisados com cautela, mas funcionam como indicativo de caminho. “O resultado mostra que já alcançamos conquistas importantes, mas ainda precisamos avançar, especialmente em infraestrutura e nos processos de ensino e aprendizagem”, concluiu.

Apesar do resultado positivo, a direção aponta entraves para avançar no ranking, principalmente na área estrutural. “Nosso principal desafio ainda é a estrutura. Temos restrições orçamentárias importantes e um curso de odontologia é extremamente caro de manter. Estimamos um déficit anual entre 500 e 600 mil reais”, afirmou D’ávila.

Atendimentos terão investimento milionário

A realidade financeira impacta diretamente na capacidade de investimento em infraestrutura e equipamentos. Para minimizar os efeitos, a faculdade busca alternativas por meio de parcerias, especialmente vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), integrando ensino e prestação de serviços.

Esse modelo, inclusive, é apontado como um dos principais diferenciais do curso. A clínica-escola realiza cerca de 15 mil atendimentos por ano, recebendo pacientes de Pelotas e de outros municípios da região sul. “Somos uma clínica-escola inserida no SUS. Isso faz com que o aluno aprenda em um contexto muito próximo da realidade que vai encontrar no mercado de trabalho”, explicou o diretor.

Está prevista a construção de uma nova clínica, com investimento de R$ 8 milhões, atualmente em processo de licitação. A obra deve ampliar a capacidade de atendimento e qualificar a formação dos estudantes. “Isso vai representar um passo fundamental para ampliar nossa estrutura e avançar também em rankings como esse”, projetou.

Intercâmbio reforça formação e troca internacional

A presença de estudantes estrangeiros na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Pelotas vem sendo ampliada como estratégia de qualificação acadêmica. Atualmente, duas estudantes da Radboud University, na Holanda, fazem parte do corpo discente da instituição. Em 2024, a instituição já havia recebido alunos da mesma universidade e a intenção agora é expandir esse tipo de parceria.

Para a direção, o intercâmbio é uma via de mão dupla no processo de aprendizagem. A experiência permite comparar métodos de ensino e práticas adotadas em diferentes países, identificando tanto diferenças ligadas a contextos sociais quanto possibilidades de replicação. “Para nós, é uma oportunidade importante de aprendizagem, porque conseguimos comparar o que ensinamos aqui com o que é feito em outros locais”, destaca.

Um dos pontos que mais chamaram a atenção nas experiências recentes foi o interesse dos estudantes estrangeiros pela atenção básica em saúde. “Nos últimos intercâmbios, chamou atenção a escolha dos estudantes por estágios em Unidades Básicas de Saúde. O fato de termos dentistas atuando na atenção primária e a possibilidade de vivenciar essa rotina tem sido um dos principais atrativos”, afirma.

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