Quantas artesãs fazem parte da associação e como é o trabalho?
Nós somos 26 artesãs, cada uma com uma habilidade diferente. Mesmo que a gente tenha quatro ou cinco artesãs que fazem crochê, cada uma dá um nicho diferente para o seu trabalho, umas são crochê em roupa, outras são crochê em trilhos e tapetes. Dessas 26, nós vamos dos 38 aos 78 anos. Quando uma tem um problema, outra vai lá e ajuda, substitui. É um círculo que se fortalece pelo trabalho, mas também por muitas trocas que acontecem. É uma cumplicidade que fica bem evidente, até porque temos uma associação.
Qual o sentimento de trabalhar com o artesanato hoje em dia?
A gente sabe que, no mundo de hoje, tudo está muito rápido, é tudo muito volúvel, aquilo que a gente conhece hoje, amanhã já não existe mais ou já se transformou, e o artesanato permanece. Isso para nós é muito importante, porque ele funciona também como um antidepressivo no nosso grupo, porque a gente junta talentos, habilidades, trabalha com as mãos. Ver aquilo que tu produziu sendo aceito pela comunidade, sendo comprado pelos nossos clientes, pelos nossos amigos, é muito importante. Então, trabalhar com as mãos e o artesanato em si é uma maneira de, não só de arrecadar fundos para o nosso próprio bolso, mas também uma maneira de sobrevivência saudável com a família, com os amigos e na nossa própria associação. É uma troca de experiências de vida, é uma terapia, trocamos conversa, sentimentos até, porque as pessoas contam um pouco da vida delas, e a gente também corrobora com um pouco da nossa vida. É muito bom, artesanato é muito bom. Eu digo pra todas as pessoas que procure um trabalho com as mãos, que além da dignidade vai te dar prazer. E o prazer a gente sabe que ele libera um monte de elementos químicos no nosso cérebro que só nos fazem bem.
Onde está a Associação Pelotense de Artesãos atualmente?
Em Pelotas estamos solidificando o artesanato. Nosso grupo existe há muito tempo. Ele já teve uma loja na Associação Comercial anos atrás, depois nós estivemos no Clube Caixeiral. Com a pandemia nosso trabalho ficou parado, produzimos em casa, mas não tinha um local de venda. Em 2023, nós começamos a procurar uma sede para nós, então nós estivemos na Galeria Firenze por dois anos, e agora, na última sexta-feira, nós inauguramos nosso espaço na Galeria Zabaleta, loja 56, e toda comunidade está convidada para visitar nosso espaço, conhecer nosso trabalho e confraternizar.
Como é que o artesanato chegou na tua vida?
Eu sou uma professora aposentada do estado do Paraná. Nós fomos embora do Rio Grande do Sul para o Paraná, moramos 36 anos lá e voltamos. Nunca imaginei morar em Pelotas, mas minha filha veio para cá e eu me apaixonei pela cidade, estou muito feliz aqui. E aí você se aposenta e pensa assim “agora eu não tenho mais utilidade, vou viver só para a família, netos”. Minha filha sugeriu que eu começasse a fazer colares de corda náutica. Depois que comecei, conheci as gurias nas feiras de rua que tem na praça, no mercado público, e entrei no grupo. Elas me acolheram com tanto carinho e hoje eu devolvo para elas em termos de trabalho, de dedicação também com as próprias associadas.
Na última semana foi o Dia do Artesão, o que a data representa?
O Dia do Artesão é comemorado no dia 19 de março, em referência a São José, que foi o artesão pai, carpinteiro, pai de Jesus, e que deixou essa arte para o mundo inteiro. Inclusive, a cidade sempre tem uma feira de rua neste dia. A prefeitura está se reorganizando para esses espaços agora.
Como que a associação se mantém?
Nós temos uma mensalidade, a mensalidade agora é R$ 100, e ela custeia o nosso aluguel e o nosso condomínio. Em cada venda, a artesã dá 10% para o caixa da loja. Esse caixa a gente compra sacolas e tudo aquilo que precisa para o bom funcionamento do nosso espaço.