Alunos organizam protesto pelo direito das mulheres no IFSul

Mobilização

Alunos organizam protesto pelo direito das mulheres no IFSul

Episódio com “ranking de estupráveis” mobiliza comunidade escolar em Pelotas

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Alunos organizam protesto pelo direito das mulheres no IFSul
(Foto: Jô Folha)

Alunos do campus Pelotas do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) estão se mobilizando para protestar contra o caso de assédio registrado no último sábado (20) na instituição. O protesto será realizado na quarta-feira (25), às 12h30min, em frente ao prédio da instituição.

O caso grave envolve um “ranking de estupráveis” organizado por alunos sobre outras estudantes menores de idade da instituição. A situação gerou revolta entre familiares das vítimas que formalizaram a denúncia ao IF. A reitoria está apurando o caso e já afastou oito estudantes envolvidos.

Em nota de repúdio, a reitoria do IFSul informou que iniciou a apuração dos fatos e destacou que poderá encaminhar o caso às autoridades competentes. “A comunidade pode estar segura de que não serão poupados esforços para garantir a transparência e a integridade deste processo”, diz o posicionamento.

Especialista alerta para gravidade

Para a psicóloga Thais Vieira, o caso precisa ser tratado com seriedade e vai além de um comportamento típico da adolescência. Segundo ela, trata-se de uma forma de violência simbólica que expõe desrespeito e objetificação das meninas. A profissional destaca que a escola tem papel central tanto no acolhimento das vítimas quanto na responsabilização dos envolvidos. “Não basta apenas punir. A escola precisa educar, promover diálogo e trabalhar temas como respeito, consentimento e responsabilidade nas relações”, afirma.

A psicóloga também chama atenção para influências externas, especialmente conteúdos consumidos nas redes sociais. De acordo com ela, discursos associados à chamada cultura “Red Pill” podem reforçar visões distorcidas sobre mulheres, contribuindo para a naturalização da objetificação.

Thais Vieira ressalta ainda que comportamentos como esse, quando não enfrentados, podem evoluir para formas mais graves de violência. “Existe uma continuidade entre desrespeito, objetificação e violência. Por isso, a intervenção precoce é essencial”, pontua.

Ela conclui destacando a necessidade de atuação conjunta entre escola, família e sociedade para a formação de jovens mais conscientes e responsáveis.

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