No dia 30 de julho de 2025 o A Hora do Sul noticiava que o governo federal prometeu incluir o projeto executivo do Lote 4 da BR-392 no novo PAC. Em 5 de agosto, a manchete era “Governo federal lança edital para projeto do lote 4 da BR-392”. Em 19 de setembro de 2024, o Jornal também noticiava que o projeto para a construção da ponte em Jaguarão era autorizado. Por isso, ao ver ambos os projetos incluídos no balaio da próxima concessão rodoviária, a região precisa questionar-se sobre essas tramitações e os impactos na própria economia regional.
É uma conta óbvia: a cada exigência de investimento que se adiciona no projeto da concessão, mais cara a tarifa vai ficar. Dos R$ 10,5 bilhões em intervenções previstas, uma parte já havia sido anunciada, com outras fontes de financiamento. Por esse motivo, faz todo o sentido e é necessário o barulho feito por algumas das instituições empresariais. A ponte binacional, por exemplo, já é discutida há mais de duas décadas e até agora nada. Vamos pagar essa conta sozinhos, através de tarifas de pedágios? Qual será o papel do Uruguai nessa construção? Por qual motivo a conta fica toda na mesa da Zona Sul?
É óbvio que intervenções são necessárias e precisam estar presentes. Algumas, como a duplicação de trechos da BR-392 entre Pelotas e Canguçu, ainda não tinham sido ventiladas e faz sentido estar na concessão. As demais intervenções também são fundamentais, sobretudo a do lote 4, que facilitaria muito a logística no entorno do porto de Rio Grande. Mas precisamos olhar para onde faz sentido, para o que o governo federal tem como obrigação na região e sobre o impacto disso na próxima concessão. Já viemos de um contrato que prejudicou a região. Precisamos de outro com tantos elementos que encarecem? Essa pergunta precisa ser respondida antes do edital.
É preciso fazer contas e olhar com cuidado para cada detalhe que possa encarecer a concessão e para cada tentativa do governo federal de se livrar de obrigações infraestruturais com a região. É muito fácil jogar para a concessionária, diluir na tarifa do pedágio, mas com a carga tributária atual e com as promessas anteriores, não tem cabimento algum a Zona Sul arcar com mais esse custo e demorar mais alguns anos para ter obras fundamentais para seu desenvolvimento.
