Pelotas ganha nesta quarta-feira (25), um novo capítulo na preservação de sua memória. Será lançado às 17h30, no Instituto Mário Alves (IMA), o Dicionário de História de Pelotas – volume II, obra organizada por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e que amplia o olhar sobre a trajetória da cidade, agora com foco no período posterior a 1960. A proposta é aproximar o leitor da própria história local. Para a professora Lorena Almeida Gill, uma das organizadoras, o sentimento por trás da obra é justamente esse reconhecimento.
A publicação dá continuidade a um projeto pensado há cerca de duas décadas. Segundo Lorena, a ideia de um segundo volume já existia desde a elaboração do primeiro. “A gente já sabia que teria que fazer. O volume 1 vai até 1960, então esse agora entra com a história mais recente, o tempo presente”, explica.
Entre as novidades, estão a atualização de verbetes a partir de pesquisas mais recentes e a inclusão de temas que ficaram de fora da primeira edição. Casos como Indígenas, reescrito por um especialista na área, e Charqueadas e Charqueadores, revisitados por novos pesquisadores, refletem esse movimento de revisão.
Além disso, assuntos bastante procurados pelo público, como Benzeduras e Cortiços, passam a integrar a obra. “São temas que poderiam ter entrado antes, mas que a gente não tinha colocado. Agora eles aparecem com mais força”, destaca.
Os bairros
Um dos principais avanços do volume II, segundo a professora, está na ampliação do olhar sobre a cidade, especialmente em relação aos bairros e à atividade industrial. “Quando a gente fez o primeiro, não tinha estudo sobre a formação de bairros como Guabiroba ou Pestano. Agora isso aparece. E também a história das indústrias, principalmente as alimentícias, que a gente começou a pesquisar a partir do acervo da Justiça do Trabalho”, explica.
A construção do livro envolveu pesquisadores de diferentes áreas, mas também contou com a participação de integrantes da comunidade. “Tem verbetes escritos por acadêmicos, mas também por pessoas diretamente ligadas aos temas, como lideranças sindicais. A gente quis envolver quem realmente conhece essas histórias”, ressalta.
O processo de seleção dos conteúdos, segundo Lorena, é sempre desafiador. “É incontável. Sempre vai ficar alguma coisa de fora. Mesmo agora, com o livro pronto, já tem gente dizendo: ‘ah, podia ter incluído isso também’”, comenta, em tom bem-humorado.
Com cerca de 400 páginas, a obra reúne textos de áreas como História, Antropologia, Arquitetura, Direito, Educação e Jornalismo, entre outras, reforçando o caráter multidisciplinar do projeto.
Acesso

(Foto: Reprodução)
Assim como o primeiro volume, que já soma mais de 152 mil visualizações no formato digital, a nova edição também será disponibilizada gratuitamente em e-book no site do Núcleo de Documentação Histórica (NDH/UFPel), no mesmo dia do lançamento. “A nossa ideia é democratizar o conhecimento. O núcleo foi criado para isso, e a gente acredita que está conseguindo”, afirma a professora.
Questionada sobre a possibilidade de um terceiro volume, Lorena não descarta novas iniciativas, mas aponta outro caminho mais imediato. “Talvez não um terceiro, mas uma edição revista e ampliada, sim. Porque já estão surgindo novas sugestões, novos temas. A história do tempo presente está acontecendo o tempo todo”, conclui.
Serviço:
- O quê: Lançamento do Dicionário de História de Pelotas – volume II
- Quando: Dia 25 (quarta-feira), às 17h30min
- Onde: Instituto Mário Alves, rua Alberto Rose, 164