Pelotas mudou. É só olhar para a cidade que tínhamos há dez ou quinze anos atrás e notar que quase nada é igual. O Centro é diferente. Áreas como Parque Una, Quartier e bairros planejados se tornaram cartões postais da cidade. O Laranjal virou um bairro com população significativa, com novos empreendimentos e com vida o ano inteiro. Por isso, definir diretrizes e ordenamentos para esses movimentos é tão fundamental. Dentro disso, o retorno do Conselho do Conselho Municipal do Plano Diretor (Conplad) é essencial e uma ótima notícia para este ano. Mas se for com reflexão e pensamento. Com lógica antes do embate. Será que seremos capazes?
Na próxima semana, 30 entidades serão escolhidas para formar o Conselho. São dez do poder público, dez produtores do espaço urbano e rural e dez usuários do território. Trinta entidades, formadas por diversas pessoas, todos com ideias diferentes. Pelo lado positivo, o Conselho tem capacidade de promover um desenvolvimento territorial ordenado e estratégico para que a cidade se posicione frente aos desafios do futuro, que passam desde a questão econômica até fatores climáticos. Por outro, se cada um for pronto apenas para defender suas pautas, a coisa irá travar e sabe-se lá o que sairá de lá além de farpas e faíscas.
Não é futurologia, é lógica. Se trinta entidades forem com trinta pensamentos diferentes e sem muita predisposição a fazer concessões, repetiremos o cenário de 2016, quando as universidades afastaram-se do Conselho pelas divergências e a coisa travou. Aprender com o passado é fundamental para que sejamos estratégicos hoje. Afinal, que cidade queremos para o futuro? Que exemplo as lideranças darão? É também um exercício de sociabilidade, de deixar o ego e o populismo de lado e pensar na expansão justa para a nossa cidade.
Se encontrarmos um mínimo equilíbrio entre o desenvolvimento econômico, necessidades sociais e questões ambientais, será um exemplo extremamente positivo não só para a comunidade, mas um indicativo de que Pelotas atingiu um novo nível de maturidade. Se o Conplad se tornar mais um espaço de debates sem fim, sem concessões de nenhum lado e sem acordos, pararemos no tempo, mais uma vez, e seguiremos sendo uma cidade que olha para o passado, remói questões e esquece do futuro.
