Dia E no Hospital Escola da UFPel contribui para redução das filas de espera do SUS

Saúde pública

Dia E no Hospital Escola da UFPel contribui para redução das filas de espera do SUS

Ações focadas na saúde da mulher integraram ação nacional da EBSERH e do Ministério da Saúde

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Atualizado domingo,
22 de Março de 2026 às 14:32

Dia E no Hospital Escola da UFPel contribui para redução das filas de espera do SUS
(Foto: Jô Folha)

O sábado, 21, foi de grande movimentação, desde as primeiras horas do dia no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Em alusão ao Mês da Mulher, a instituição integrou um movimento nacional, promovido pela Rede Ebserh em parceria com o programa “Agora Tem Especialistas” do Ministério da Saúde, para redução das filas de espera para consultas, exames e cirurgias. Direcionado para a saúde da mulher, a expectativa era realizar cerca de 500 atendimentos no chamado “Dia E – Ebserh em Ação”.

O mutirão foi realizado, simultaneamente, em 45 hospitais brasileiros, incluindo o HE-UFPel e o Hospital Universitário da Furg, em Rio Grande. Para dar suporte aos atendimentos, o Hospital Escola contou com o reforço de 154 pessoas, sendo 89 profissionais de diversas áreas e residentes, além de 65 estudantes de diversos cursos da Saúde.

No mesmo dia, uma grande ação foi realizada pelo HE e o Ministério da Saúde no Mercado Público de Pelotas. Atividades gratuitas e abertas à comunidade foram desenvolvidas, das 9h às 17h, com a parceria das ligas acadêmicas da UFPel e a Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Dentro da programação, foram realizados exames de rotina, testagens rápidas, práticas integrativas, vacinação e orientações, também focadas na promoção da saúde da mulher.

O representante da Ebserh de Brasília, Túlio Gonçalves Gomes, destaca que a ação integrada é focada em, de fato, reduzir o contingente de pessoas nas filas aguardando por procedimentos. “No ano passado, foram mais de 100 mil procedimentos realizados no Brasil todo através dos mutirões”, afirma.

A ação joga luz para mais aspectos da vida das mulheres. O superintendente do HE, professor Marcelo Capilheira, afirma que a importância deste Dia E está na visibilidade ao enfrentamento de todas as formas de violência sofridas pelas mulheres, além de promover o cuidado e a atenção integral à saúde feminina. 

Assistencialismo na prática

A representante do Ministério da Saúde no evento, Evelyn Bezerra, destaca o protagonismo do Hospital Escola durante as ações integradas e no empenho por realizar diversos mutirões, com outros direcionamentos, ao longo do ano. Segundo ela, isso mostra mais do que o engajamento das equipes, mas uma cultura de fortalecimento do assistencialismo que impacta na vida dos pelotenses. “Sabemos que hospitais escola 100% SUS são um grande desafio, mas vemos aqui uma orientação da universidade no compromisso com a promoção de um movimento que garanta a ampliação dos acessos aos atendimentos”, diz.

Sobre a ação ser voltada para as mulheres, Evelyn reforça que o Dia E torna-se uma oportunidade de cuidar daquelas pessoas que mais se dedicam ao cuidado da estrutura familiar e que, na maioria das vezes, não consegue ter o cuidado com ela própria. “Quando a gente faz algo como estender um dia de cuidado específico, a gente está fazendo com que mais mulheres tenham acesso a procedimentos, que talvez elas não conseguissem ter pelo seu cotidiano, em um sábado ela consegue, pela sua estrutura de vida, se cuidar”, afirma.

Foi assim que Sudane Moraes, 40, conseguiu ter acesso rápido ao procedimento de tomografia. Moradora da Colônia Z-3, ela enfrenta dificuldades para realizar todos os exames necessários dentro de uma investigação para o motivo das dores que a acompanham há, pelo menos, quatro anos. “Não tenho como deixar minhas duas filhas pequenas lá [em casa] para vir de madrugada ficar em filas pra conseguir ficha e depois ainda ter que voltar. O primeiro ônibus lá sai às 6h e já me disseram que tem gente que vem pra fila de madrugada”, relata.

Enquanto relatava para a reportagem do A Hora do Sul que sua maior dificuldade era com o exame de sangue, primordial para a investigação e acompanhamento médico, Sudane foi orientada pela equipe do HE a como fazer o agendamento. “Foram muito atenciosos comigo, uma ótima experiência e, se eu conseguir mais esse exame, vai ser um alívio muito grande”, diz a paciente.

Cuidado

A atenção aos pacientes é um dos destaques apontados pela técnica em radiologia do HE, Kenia Aspir. Segundo ela, apesar da intensa movimentação desde as primeiras horas do mutirão, o contato com as pessoas é muito especial e se percebe o olhar de esperança que elas têm por estarem alcançando o procedimento que tanto esperam. “Aqui a tomografia é um dos exames com maior demanda, porque é investigativo e também os pacientes retornam para avaliações e seguir com tratamentos. Procuramos tratar todos sempre muito bem e acolher”, garante a profissional.

No total, foram disponibilizados no Dia E 2.481 procedimentos, entre cirurgias, exames e consultas. Entre estes, a meta era realizar 2.450 exames laboratoriais como radiologia, endoscopia, ultrassonografia, tomografias e coletas de material.

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