Fiscalização e baixa safra do camarão desafiam pescadores na Lagoa dos Patos

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Fiscalização e baixa safra do camarão desafiam pescadores na Lagoa dos Patos

Categoria relata apreensões, dificuldade de venda e queda na captura de camarão

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Atualizado segunda-feira,
23 de Março de 2026 às 08:17

Fiscalização e baixa safra do camarão desafiam pescadores na Lagoa dos Patos
(Foto: Jô Folha)

Na metade do período da safra do camarão, pescadores de municípios da Zona Sul relatam baixa na captura do crustáceo e dificuldades relacionadas à intensificação da fiscalização ambiental. Enquanto o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) reforça o combate à pesca ilegal, trabalhadores afirmam que têm enfrentado apreensões mesmo com a documentação em dia, além de obstáculos para comercializar a produção.

A segunda etapa da Operação Decapoda 2026, realizada no Rio Grande do Sul, teve como foco coibir práticas ilegais, especialmente o uso de redes de arrasto – técnica proibida por seu alto impacto ambiental. A ação contou com apoio da Brigada Militar Ambiental e da Polícia Federal, incluindo patrulhamentos aquáticos, barreiras rodoviárias e inspeções em empresas do setor. Até o momento, foram lavrados dez autos de infração, que somam mais de R$ 1,1 milhão em multas, além da apreensão de mais de 32 toneladas de pescado.

Por outro lado, pescadores afirmam que estão sendo impactados mesmo atuando dentro das regras. Manuel Bernardes, do Pontal da Barra, relata que cargas de camarão têm sido apreendidas durante o transporte, mesmo com notas e licenças regularizadas. “A gente está com tudo em dia, mas pegam o camarão na estrada e dizem que é de pescaria predatória. Como é que eles sabem?”, questiona o pescador artesanal.

Segundo ele, a situação tem dificultado a venda da produção, tanto dentro quanto fora do estado. “Se estiver transportando para Porto Alegre ou qualquer outro lugar, é o mesmo problema. Está complicado”, afirma.

Mesma reclamação em Rio Grande

Na Ilha da Torotama, a realidade também é de preocupação. Segundo Nilton Machado, presidente da Colônia de Pescadores Z-1, a produção já é limitada e as barreiras de fiscalização têm agravado o cenário, impedindo o escoamento do pescado. “Dependemos quase 100% de compradores de Santa Catarina. Como não temos indústria aqui, se não conseguimos transportar, não temos para quem vender. Os pescadores estão desesperados”, afirma.

A categoria também aponta falta de clareza nas orientações por parte dos órgãos responsáveis. Segundo Machado, uma reunião realizada em janeiro com representantes do Ministério da Pesca e do Ibama não resultou em definições práticas. “A gente pediu que fossem informadas, por meio de circulares, quais seriam as exigências para os compradores organizarem o transporte. Mas isso não aconteceu. Ficamos sem uma orientação clara”, relata.

Baixa no camarão

Outro fator que agrava a situação é a baixa produtividade da safra neste ano. Bernardes afirma que, apesar de uma leve melhora, o cenário ainda está longe do esperado. “Melhorou um pouco, mas não foi o que a gente esperava. A safra vai até mais ou menos maio, mas agora já está esfriando, e a tendência é não melhorar muito”, afirma Bernardes.

O mesmo cenário se repete em outras comunidades pesqueiras. De acordo com o presidente da Colônia de Pescadores Z-3, Nilmar Conceição, o volume de camarão está abaixo do esperado, o que tem levado parte dos pescadores a parar a atividade. “É uma safra muito inconstante. Tem poucos trabalhando, alguns nem colocaram rede. Mesmo onde tem um pouco mais, não dá para considerar uma safra normal”, afirma.

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