Desde a primeira infância, cresci com mulheres me dizendo o quanto eu sou bonita. Isso não é, de forma alguma, para me gabar, até porque acredito que, para uma pessoa ser de fato bonita, basta ela se enxergar assim. Mas cresci com uma mãe e com muitas mulheres à minha volta me embelezando, e que me fizeram acreditar nessa premissa.
E meu exemplo de beleza era a minha mãe. Eu descobri, na adolescência, que o corpo padrão era magro e alto, porque a minha mãe tem 1,54 m de altura. Para mim, ela sempre foi a mulher mais bonita do mundo. Queria ter o sorriso da minha mãe, sua cor morena; cortei o cabelo para parecer com ela; queria sua boca, suas sobrancelhas; queria fazer escova toda semana, como ela fazia…
Fui crescendo, e as inseguranças também. Agora, era meu trabalho escolher minhas roupas e até comidas que não aumentassem minhas medidas.
A vida adulta esclareceu meu estilo e fez com que eu me entendesse como uma mulher bonita. É um sentimento único se vestir, maquiar-se, arrumar os cabelos, as unhas, os acessórios… enfim, tudo no seu devido lugar, permitindo que tu te vejas como uma pessoa bonita. E é algo que eu gostaria que todos sentissem.
Apesar de não ser igual à minha mãe, ainda carrego muito além da herança genética. Temos estilos muito parecidos — depois que eu parei de pintar o cabelo de rosa, aos 15 anos.
Porém, recentemente, por algum motivo qualquer, decidi perguntar se ela se sentia bonita
— o que, para mim, era muito óbvio que sim:
— Ah, acho que não. Tem momentos em que me sinto bonita, mas eu sei que não sou.
Aquilo partiu meu coração. O sentimento que, graças a ela, eu senti a vida inteira, ela não sentia.
Ter seus momentos não é a mesma coisa que saber que é bonita. Desde então, uma das minhas metas de vida é retribuir o sentimento que ela me permitiu ter: fazê-la acreditar na própria beleza.
Porque ela, de fato, é linda. Mesmo quando eu não acreditava em mim, ela dizia de um jeito que me fazia acreditar na visão dela, e é isso que eu quero que ela sinta. Não porque sou sua filha, assim como ela diz que não é porque é minha mãe. Só porque, de fato, ela é uma das mulheres mais lindas que eu já vi. Então, tive que declarar em um jornal para que isso se torne público.
— Mãe, tu és a mãe mais bonita do mundo. E, quando dizem que sou parecida contigo, é o melhor elogio que posso receber. E, se tu me achas bonita, deves ficar feliz com esse comentário também.