Trajetória do violonista Delsuamy Medeiros é relembrada pela imprensa

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Trajetória do violonista Delsuamy Medeiros é relembrada pela imprensa

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Atualizado sexta-feira,
20 de Março de 2026 às 11:05

Há 50 anos

Em março de 1976, a trajetória do concertista e professor Delsuamy Vivekananda Medeiros (1938-2004) foi retratada em matéria na imprensa de Pelotas. Violonista consagrado, era apresentado como dono de “dedos mágicos” e de uma carreira construída na superação de desafios, com talento e persistência.

Na época, aos 38 anos, Delsuamy era descrito como um homem tranquilo, mas com uma trajetória intensa. Natural de Bagé, chegou a Pelotas em 1959 trazendo pouco além de um violão, a juventude e a ambição de vencer na música. Os primeiros anos foram marcados por dificuldades financeiras e limitações. Apesar disso, cursou Teoria Musical no Conservatório de Música e, posteriormente, cursou Harmonia.

A estreia como concertista ocorreu em 1964, impulsionada pelo apoio institucional da época. “A partir daí também mantive um programa radiofônico, mas depois tive que interromper. Falta de tempo. Os compromissos maiores começavam a chegar”, relembrou o músico.

Turnê latina

Músico natural de Bagé foi professor do Conservatório (Foto: Reprodução)

Em junho de 1965, depois de três concertos quase simultâneos, Medeiros fez as malas e foi para o Uruguai. Em Montevidéu, apresentou-se na rádio El Expectador, no dia 12, dos mesmos mês e ano, e no Teatro Sordi, entre outros espaços culturais. Um dos momentos mais marcantes dessa fase foi o elogio do renomado violonista Abel Carlevaro, que identificou no jovem músico um talento promissor. O artista ainda passou por Buenos Aires, na

Argentina

Na volta a Pelotas, o violonista fez um recital com casa lotada no Theatro Sete de Abril. Também consolidou seu nome com apresentações em Porto Alegre, incluindo concertos no Theatro São Pedro. Ainda se destacou em concursos: venceu uma seleção nacional para professor de violão, superando candidatos de todo o país.

Também, em 1969, Delsuamy participou do concurso para intérpretes do 1º Seminário Internacional de Violão realizado pelo Liceu Palestrina, de Porto Alegre, consagrando-se como vencedor na categoria Concertista. O prêmio era uma bolsa de estudos na Espanha.

Reconhecimento e prestígio

Apesar do reconhecimento, nem todas as oportunidades se concretizaram. Recusou propostas que considerou desfavoráveis e enfrentou silêncios institucionais, como a ausência de resposta para integrar circuitos oficiais de concertos no país. Retornou a Pelotas com prestígio e se tornou professor do Conservatório de Música.

Em 1973, foi eleito Personalidade do Ano e fundou o Clube do Violão, iniciativa que contribuiu para a formação de novos músicos. No Conservatório, onde lecionava, estruturou um curso rigoroso, com formação que podia chegar a nove anos, evidenciando seu compromisso com a excelência.

“Seu sistemático trânsito em eventos e momentos importantes do violão neste Estado, assim como o contato com personalidades destacadas no meio violonístico brasileiro e mundial, como os uruguaios Isaías Sávio e Abel Carlevaro, atestam a relevância de um trabalho biográfico acerca da trajetória profissional deste violonista ainda desconhecido”, opinou, o então bacharel em Violão Daniel Ribeiro Medeiros, Mestrando em Teoria e Criação pela Universidade Federal do Paraná, no artigo, Delsuamy Vivekananda Medeiros (1938 – 2004): Trajetória de um violão no Rio Grande do Sul, de 2009 .

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

Há 107 anos

Era fundada uma companhia telefônica para os pelotenses

Político foi presidente da Câmara Municipal (Foto: Reprodução)

A Companhia Telefônica Melhoramento e Resistência (CTMR), sociedade anônima, foi fundada em 20 de março de 1919, com o capital social de mil e seiscentos contos de réis, dividido em oito mil ações do valor nominal de duzentos mil réis cada uma, todas nominativas e integralizadas.

A CTMR surgiu em função do descontentamento dos pelotenses com o serviço de telefonia prestado pela Companhia Telefônica Riograndense. Os clientes reclamavam da demora nas manutenções da rede e dos preços altos cobrados pela empresa. O município passou a ter serviço telefônico no século 19 e a primeira linha instalada foi em 1883, ligando a casa do empresário Narciso José Ferreira à sua empresa, no Porto .

Reunião na ACP

Em 1919, em reunião na sede da Associação Comercial de Pelotas, o então diretor do Banco Pelotense, Alberto Rosa, em conjunto com outros agentes locais, fundou a Companhia Telefônica Melhoramento e Resistência, cujos objetivos eram “melhorar” o serviço e “resistir” aos capitais externos ao município. No final da década de 1990, a CTMR foi desativada como empresa independente.

Fonte: Dicionário de História de Pelotas, Beatriz Ana Loner, Lorena Almeida Gill, Mario Osorio Magalhães, [organizadores]. 3ª edição, Pelotas: Editora da UFPel

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