Pânico, realidade e ilusão

editorial

Pânico, realidade e ilusão

Pânico, realidade e ilusão
(Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

Enquanto especialistas afirmam que o Brasil não tem risco de desabastecimento de combustíveis, nas cidades o temor vem aumentando com o risco de colapso nos transportes movidos a diesel e, na bomba, toda a cadeia produtiva sente os recorrentes reajustes do óleo. A origem de tudo isso é o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial por dia. O motivo é a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Mas, afinal, por qual razão há esse desencontro de narrativas e realidades?

O preço do barril já superou a casa dos 100 dólares, o que pressiona a Petrobras e o governo federal. Nos últimos dias, houve anúncio de redução de impostos, reajuste do custo e pedido para redução do ICMS nos estados. Em Pelotas, a prefeitura foi ao Ministério Público pedir a garantia de diesel para os serviços públicos. Nas lavouras, o temor de perder parte da safra de grãos caso as máquinas parem. No país, começa a engatinhar uma paralisação dos caminhoneiros, o que preocupa absolutamente todo o setor produtivo brasileiro.

Estradas paradas afetam toda a economia do país. Somos uma nação movida por estradas. Todos lembram do caos que foi quando houve a última grande greve dos caminhoneiros, em 2017. Ainda assim, somos um país autossuficiente na produção de petróleo. Portanto, esse temor com desabastecimento não deveria estar tão forte.

Sabe-se que parte do temor de desabastecimento é fruto de pura especulação, já investigada pela Polícia Federal e observada pelos Procons. Mas o preço, ele sim, é o que pressiona todos os brasileiros. No mesmo dia em que finalmente a taxa de juros recua, os caminhoneiros afirmam estar no limite, que não dá mais. Quando o diesel sobe, tudo sobe. Quando tudo sobe, é o cidadão quem paga o preço.

O governo federal, preocupado com o custo financeiro e eleitoral que isso tudo tem tido, até procura soluções, mas não se vê uma saída que não seja o fim de uma guerra com a qual nada temos a ver. É fato que todo mundo está preocupado e o belicismo global tem deixado um clima de preocupação que vai do grande empresário ao cidadão comum, que não enxergam nenhum coelho sendo tirado da cartola para resolver tudo isso.

Acompanhe
nossas
redes sociais