Há 85 anos
Os primeiros registros de dissídios trabalhistas remontam a 1936, mas foi a partir de 1941, quando foi criada a Justiça do Trabalho em Pelotas, que os processos dos operários contra os patrões ganharam volume no município. A judicialização dos direitos do trabalho refletiam uma nova realidade instaurada a partir da ascensão do gaúcho Getúlio Vargas (1930-1945) ao poder. O artigo Tramas no Tribunal: Dissídios trabalhistas de operárias da Companhia Fiação e Tecidos Pelotense (1944-1954), da historiadora Eduarda Borges da Silva, publicado na revista número 8, de 2014, do Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas, destaca essas primeiras reivindicações dos trabalhadores.
O período da pesquisa reflete sobre a consolidação de direitos trabalhistas no Brasil, especialmente após a promulgação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943, e a ampliação do acesso dos trabalhadores à reivindicação formal dos direitos. No artigo a pesquisadora descreve que um dos casos emblemáticos desse início envolve a operária Maria Francisca Nunes, que em 1944 recorreu à Justiça contra a Companhia Fiação e Tecidos Pelotense.
Em um processo extenso, com 57 páginas, ela buscava a regularização de seu contrato e o pagamento de diferenças salariais. Seu caso ilustra uma mudança importante: trabalhadores, especialmente mulheres, passaram a recorrer às recém-criadas Juntas de Conciliação e Julgamento para enfrentar o que consideravam injustiças no ambiente de trabalho.
A partir da análise de mais de 50 processos trabalhistas de operárias da indústria têxtil local, entre 1944 e 1954, a historiadora revela um perfil recorrente: mulheres jovens, em sua maioria entre 20 e 30 anos, ocupando funções de baixa qualificação, como fiandeiras e tecelãs. Apesar de muitas serem alfabetizadas, as dificuldades na escrita evidenciavam as desigualdades sociais que também se refletiam nos autos judiciais.
Ampla gama de conflitos
Essas trabalhadoras frequentemente recorriam à Justiça com o apoio de advogados – sendo comum a representação pelo mesmo procurador – e solicitavam o benefício da Justiça Gratuita, indicando baixos rendimentos. As ações abordavam uma ampla gama de conflitos: desde o não pagamento do salário mínimo até condições insalubres, aplicação de multas, jornadas intensas e desigualdade na distribuição de matéria-prima, o que impactava diretamente a produção e, consequentemente, a remuneração.
Os processos também revelam tensões internas no ambiente fabril, incluindo disputas entre operárias e conflitos com superiores, que por vezes extrapolavam o campo profissional. Em muitos casos, a defesa das empresas atribuía às próprias trabalhadoras a responsabilidade por baixos rendimentos, alegando falta de aptidão ou produtividade.
Segundo Eduarda Silva, apesar de representarem a maioria das ações envolvendo a Companhia Fiação e Tecidos no período analisado, as mulheres ainda eram minoria no conjunto geral de processos trabalhistas da época, evidenciando tanto barreiras de acesso quanto dinâmicas específicas de mobilização.
Salvaguarda da memória
Mais do que registros jurídicos, esses documentos permitem reconstruir aspectos do cotidiano operário e das relações de trabalho em Pelotas há mais de oito décadas. No artigo, a pesquisadora ainda ressalta que histórias como a de Maria Francisca só chegaram aos dias atuais graças ao trabalho de preservação documental. “Através da conscientização da importância da salvaguarda e da acessibilidade de tais documentos”, avalia Eduarda.
Trabalho esse que tem sido feito com excelência pelo Núcleo de Documentação Histórica (NDH), do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), fundado em 1990. Os processos trabalhistas, por exemplo, estão sob os cuidados da equipe do Núcleo desde 2009, salienta a pesquisadora.
Em 2014, NDH ainda recebeu o acréscimo dos processos trabalhistas do Acervo do Memorial de Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul, mantendo viva a memória social e trabalhista do Estado.
Há 15 anos
Professor da UFPel recebe prêmio na área de odontologia nos Estados Unidos

(Foto: Reprodução)
O professor Flávio Demarco, na época, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Odontologia (PPGO), recebeu, no dia 17 de março 2011, o prêmio William J. Gies pelo melhor trabalho publicado na área de Pesquisa Biológica em 2010 no Journal of Dental Research, o periódico mais importante da área de odontologia. A cerimônia de entrega ocorreu durante a 89th General Session and Exhibition of the International Association for Dental Research (Sessão Geral e Exposição da Associação Internacional de Pesquisa Odontológica), em San Diego, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos.
O artigo, intitulado Dentin-derived BMP-2 and odontoblast differentiation, de co-autoria do professor Flávio, integrou parte da tese de doutorado do professor Luciano Casagrande (UFRGS) e foi desenvolvido durante período de pós-doutorado do professor Flávio na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, sob orientação do professor Jacques Nör.
No estudo, os autores demonstraram que fatores de crescimento presentes na dentina podem direcionar a transformação de células-tronco em odontoblastos, sendo este achado importantíssimo em termos de possibilidades de terapias regenerativas pulpares por engenharia tecidual.
Fonte: site Coordenação de Comunicação Social da UFPel