O avanço dos focos do mosquito Aedes aegypti em Rio Grande tem um fator central que preocupa as equipes de saúde: a dificuldade de acesso às residências. Casas fechadas, imóveis desocupados e a recusa de moradores em receber os agentes de combate às endemias têm impactado diretamente as ações de prevenção e controle.
De acordo com o 10º boletim epidemiológico, já são 154 focos identificados — 26 a mais em apenas uma semana. Para a superintendente da Vigilância em Saúde, Michele Meneses, esse aumento está diretamente ligado à resistência enfrentada pelas equipes no dia a dia.
“Temos encontrado muita dificuldade de acesso. Há moradores que não permitem o acompanhamento das armadilhas e até pedem a retirada delas, o que prejudica o monitoramento. Além disso, há muitas casas fechadas, principalmente em regiões como o Centro e a Cidade Nova, que acabam se tornando possíveis criadouros”, destaca.
A situação se agrava porque, mesmo com o uso de armadilhas como ovitrampas e Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), a entrada dos agentes nas residências é fundamental para identificar e eliminar focos que não são visíveis externamente.
Casas desocupadas
A fiscal do Código de Posturas, Andrea Vallente, reforça que imóveis fechados também são responsabilidade dos proprietários. Segundo ela, casas desocupadas, especialmente de pessoas que possuem mais de um imóvel ou residem em outros bairros, precisam de atenção regular.
Andrea também destaca que, muitas vezes, mesmo quando há notificação, a limpeza ocorre apenas de forma superficial. “O interior das casas, ralos e outros pontos acabam não sendo verificados, porque não temos acesso. Por isso, a colaboração dos proprietários é essencial”, completa.
