Há 50 anos
No município de Rio Grande, em março de 1976, o prefeito Rubens Emil Corrêa e a 18ª Delegacia de Educação receberam mensagem do professor Airton Vargas, secretário de Educação e Cultura, confirmando o envio de pouco mais de cinco milhões de cruzeiros para a construção de prédio próprio para o Ginásio Estadual Barão de Cerro Largo. A obra seria realizada em área de aproximadamente três mil metros quadrados.
Um nome na história
A Escola Estadual de 1957 leva no nome o título nobiliárquico do militar José de Abreu, nascido no Uruguai, mas passou a residir no Brasil, a partir dos 13 anos. O início da vida no Exército no Regimento de Infantaria e Artilharia de Rio Grande, foi em 28 de dezembro de 1784, data da sua matrícula.
Ainda durante o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815-1822), combateu os argentinos nas campanhas de 1801 a 1827, libertando São Borja em 1814. Foi fundamental na guerra contra Artigas (1816-1820), quando, com seus 650 homens, em diversos combates, abateu os três mil homens de Sotel. Foram 44 anos de serviço militar, período em que lutou mais de 20 batalhas. Era comandante de cavalaria, quando foi nomeado governador das armas de São Pedro do Rio Grande do Sul, após a independência do Brasil em 1822. Nesse período, foi agraciado por Dom Pedro I com o título nobiliárquico de barão.
Porém, após o início da Guerra Cisplatina (1825-1828), foi demitido do cargo de governador de armas. Forma, então, um regimento de voluntários em São Gabriel e retorna à guerra contra o Uruguai. Pouco depois, em 20 de fevereiro de 1827, foi ferido mortalmente na batalha de Ituzaingo ou do Passo do Rosário, próximo a Rosário do Sul.

José de Abreu morreu em 1827 (Foto: Reprodução)
Por um equívoco do Marquês de Barbacena, Marechal-de-Exército Felisberto Caldeira Brant Pontes, o confronto foi desastroso para os brasileiros. A tropa comandada pelo general José de Abreu, confundida com o regimento inimigo, foi recebida à bala.
Na obra de Simões
A morte no campo de batalha, no Passo do Rosário, é lembrada no emocionante conto O Anjo da Vitória, do escritor pelotense João Simões Lopes Neto, que integra o livro Contos gauchescos (1912). Na obra o velho tropeiro Blau Nunes narra fatos vividos nas suas andanças desde a juventude e sobre a vida no pampa gaúcho.
No conto, Blau Nunes relembra de um episódio. “No quartel do Barbacena ninguém se entendia. A oficialada espumava, de raiva, e um cutuba, baixote, já velho, botava e tirava o boné e metia as unhas na calva, furioso, de ralar sangue!… Esse, era um tal general Abreu… um tal general José de Abreu, valente como as armas, guapo como um leão… que a gauchada daquele tempo — e que era torenada macota! — bautizou e chamava de — Anjo da Vitória!”, relata o peão criado por Simões.
No mesmo livro, Simões traz de volta o “Anjo da Vitória” na voz de Blau Nunes, no conto Contrabandista: “Tinha vindo das guerras do outro tempo; foi um dos que peleou na batalha de Ituzaingo; foi do esquadrão do general José de Abreu. E sempre que falava no Anjo da Vitória ainda tirava o chapéu, numa braçada larga, como se cumprimentasse alguém de muito respeito, numa distância muito longe.”
Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; site Family Search – Barão do Cerro Largo; wikipedia.org; site Eu, tu, eles: passado, presente, futuro – Marechal José de Abreu; Contos gauchescos, de João Simões Lopes Neto
Há 44 anos
Cooperativa das Doceiras passa a trabalhar na antiga Confeitaria Nogueira

(Foto: Reprodução)
Em 1982, a recém criada Cooperativa das Doceiras de Pelotas passou a ocupar o prédio da extinta Confeitaria Nogueira, que funcionou de 1899 a 1979. A reativação da Nogueira, na rua 15 de Novembro, fez parte do Programa de Apoio às Cidades de Porte Médio, com recurso do Banco Mundial.
Fundada em fevereiro daquele ano, a Cooperativa das Doceiras foi uma experiência pioneira em nível nacional. Os primeiros anos na extinta confeitaria Nogueira foram tempos de adaptação e aprendizado. “Éramos 115 e foi muito difícil controlar todo esse povo, algumas tinham pouco conhecimento de doce para poder se acertar e todos ganharem. Não foi fácil”, relembrou ao Memórias em 2024, a doceira Ligia Henriques, uma das fundadoras da Cooperativa.
Na época, a cooperativa adquiria todo o material e os cooperados faziam os doces e salgados. Pouco mais de dois anos depois, os proprietários pediram o imóvel, obrigando uma mudança de endereço. A Coodopel chegou a ser transferida para outro imóvel da Félix da Cunha. Entretanto, o endereço não favorecia o contato com os clientes.
Rua do Doce
Naquele período as cooperadas passaram a vir para centro vender os doces em uma feira, praticamente improvisada. O que aconteceu por algum tempo no calçadão da 15 de Novembro, entre Sete de Setembro e Floriano.
A iniciativa foi o embrião da Rua do Doce, que depois de muitas andanças e controvérsias, ganhou espaço definitivo no calçadão da Sete de Setembro.
Fonte: Acervo Ligia Henriques