Músico de Rio Grande, Dom Marquez encontrou no violino uma forma de expressão, trabalho e também de conexão com as pessoas. Professor de música e integrante de projetos artísticos, ele também participa de uma iniciativa que leva música a pacientes hospitalizados.
Como o violino entrou na tua vida?
O violino eu vi na infância, em alguns contextos, vi pessoas tocando, alguma coisa de orquestra. Mas o meu interesse surgiu através do Sherlock Holmes. Eu gostava muito de ler quando era guri e o Sherlock Holmes tocava violino. Foi aí que surgiu o meu interesse pelo instrumento.
Hoje a música é a tua fonte de renda?
Sim. Enquanto músico e professor de música. Eu também faço ajustes e manutenção em instrumentos musicais. Trabalho também como dublador e ator, são outros trabalhos paralelos, mas realmente é como professor de música e músico.
Tu sente a emoção das pessoas quando escutam o violino?
Sim. Por ele ser um instrumento melódico da família das violas, o desenvolvimento dele também foi tentando se aproximar da sonoridade da voz humana. Então isso causa uma identificação imediata nas pessoas, pelo timbre e tudo mais. É muito legal quando a gente consegue fazer algo que toca as pessoas sem palavras propriamente ditas. É uma forma de conexão.
E qual é a maior dificuldade para quem quer começar no violino?
O primeiro desafio geralmente é o instrumento em si. Muitas pessoas não têm instrumento e acham que é muito caro. Um instrumento profissional é caro, isso é verdade. Mas um instrumento para iniciar não é tão caro assim. Na faixa de R$ 300 a R$ 400 você consegue adquirir um violino para começar os estudos. Claro que o instrumento tem desafios. Ele não tem trastes, como o violão, então a afinação exige mais atenção. E a postura também é desafiadora no início, porque dificilmente a pessoa vai usar aquela postura em outra atividade da vida. Mas é uma construção.
Tu também participa de um projeto que leva música para hospitais. Como funciona essa iniciativa?
Esse convite surgiu pela Mariana Almeida Lucas. Ela tem um projeto no Hospital Universitário que começou na brinquedoteca, com um trabalho de acolhimento, e depois se expandiu para a clínica médica. Ela convida músicos e outros artistas da cidade para levar vida e alegria para as pessoas internadas. É uma situação em que ninguém quer estar, mas às vezes precisa. Então a gente leva um pouco da vida para essas pessoas, que não podem sair dali. Muitas vezes é muito emocionante, tanto para eles quanto para nós.
Com que frequência vocês fazem essas visitas?
O projeto está aberto para os cinco dias úteis da semana. Cada músico organiza o seu horário. Eu geralmente vou nas quartas-feiras.
Tu já presenciou situações em que a música fez diferença na recuperação das pessoas?
Sim. Já testemunhei casos de pessoas que estavam em situações difíceis e apresentaram uma melhora significativa. Pessoas que não estavam conseguindo falar e, de repente, conseguiram falar. Não sei explicar exatamente o que acontece, mas aquilo desbloqueia alguma coisa. Também já vi pessoas em situação de demência que naquele momento conseguiram conversar. Aquilo foi muito importante. É muito emocionante ver o quanto a gente consegue tocar outra alma humana. Isso é muito bom.