Decorou-se a lista de argumentos contra a concessão do Polo Pelotas à Ecovias Sul, repetidas à fio diariamente por cidadãos e lideranças da região. Por isso, hoje é o dia mais importante dos próximos 30 anos para a Zona Sul. Em meio às atrapalhações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), são apenas três audiências públicas para definir os moldes da nova concessão. Só uma aqui, na comunidade que será impactada pela concessão. Será em Pelotas, a partir das 14h, no auditório da UCPel. Ou seja, ou falamos – e somos ouvidos – hoje, ou só em 2056.
É um dever de toda liderança política, empresarial e social expressar com clareza suas intenções e as demandas dos grupos que representam. Se tivermos um contrato mal amarrado ou prejudicial à região, estaremos falhando com todo o desenvolvimento regional e as próximas gerações. Demonizou-se por tanto tempo a concessão anterior e agora é justamente o momento de inverter essa lógica, de encontrar algo que seja realmente justo para a nossa comunidade e que estimule a evolução através do potencial logístico.
Por muito tempo a Zona Sul viu pedágios apenas como algo que se paga, sem notar que ele pode trazer benefícios. Obras agregadas, socorro, espaços de descanso e atendimento… é preciso compreender que a próxima concessão deve trazer tudo isso, mas com um preço justo, com um formato bem pensado e que leva em consideração a nossa realidade. O projeto é pensado por alguém em Brasília, que provavelmente nunca pisou aqui e não faz ideia dos detalhes.
O problema vive no detalhe e é a isso que devemos nos atentar. No formato de reajuste. Na localização das praças. Vivemos os últimos 28 anos vendo o absurdo que era o pedágio do Posto Branco isolando uma comunidade de Pelotas. Hoje, a projeção é que haja pórticos do free flow dentro de áreas dos municípios, como na Vila da Quinta, em Rio Grande e no próprio Posto Branco. Isso é inaceitável. E precisa ser falado. Hoje. Não podemos falhar, em hipótese alguma.
