Ligue o rádio, abra o jornal, assista a televisão ou role sua timeline e você encontrará muito rapidamente algo falando sobre violência contra a mulher. É um tema que vem ganhando cada vez mais espaço no dia a dia, sobretudo diante de casos que geram comoção pública. É uma mudança no debate público – defende-se ardentemente que, em briga de marido e mulher, se mete sim a colher. Mas, afinal, esse debate está nos lares? Pais têm coragem de ensinar seus filhos sobre o tema? Mesmo em ambientes “de paz”, essa discussão tem que estar viva, afinal, pode estar acontecendo com um familiar, amigo, vizinho ou até mesmo dentro desse próprio lar, sem perceber.
Na última semana, a Polícia Federal abriu investigação sobre uma trend no TikTok chamada “Caso ela diga não”. Eram vídeos em que homens “brincavam” sobre treinar socos, chutes, facadas e tiros caso uma investida amorosa fosse rejeitada. Esse conteúdo estava na internet, para todo mundo ver. Inclusive crianças e adolescentes, a maior parte do público dessa rede social. Que são comumente cooptados por grupos de ódio, os chamados redpill, que impulsionam um discurso machista, misógino e violento contra mulheres.
Esses grupos são formados por homens frustrados, que não sabem lidar com o ganho de espaço e independência feminina na sociedade e extravasam esse incômodo através da violência. Falta noção, educação, humanidade. Talvez, eles chegaram a esse ponto porque faltou diálogo. Ninguém sabe explicar como se forma um criminoso, mas a educação é o principal caminho para evitar que isso aconteça.
Ninguém imagina que está criando em casa, ou dividindo a mesa de bar, o ambiente de trabalho, etc, com um feminicida, estuprador ou agressor. Ainda assim, a cada dia jovens compram mais esse discurso misógino. A falta do diálogo no lar, da educação e reeducação contínua sobre limites e também sobre como lidar com frustrações amorosas é fundamental para que parte desses crimes sejam evitados.
O debate atual está muito voltado à punição dos criminosos, mas igual espaço deve ser destinado à formação de uma nova geração de homens que saibam canalizar e lidar com frustrações sem levar para o extremo da violência.
