Ano passado, tive um burnout que tirou o meu gosto pela vida, me fez esquecer a minha pessoa e precisei abandonar uma parte de mim no meio do caminho.
Eu sentia que precisava desesperadamente me aliviar por completo mas não tinha tempo para assimilar o que estava acontecendo.
Pois a vida começou a me cobrar tão cedo uma força que eu sequer tinha dentro do peito, e apenas fui aprendendo a carregar esse peso nos meus ombros, sem pensar nas consequências.
Exponho isso se medo porque sei que talvez você que está lendo também precisou crescer antes do tempo.
Não por escolha, mas por necessidade.
Dividimos a mesma dor da cobrança.
Provavelmente na infância, enquanto todos brincavam de bonecas, você se sentia sem saída em situações que uma criança jamais conseguiria lidar.
E apenas baixou a cabeça continuou sendo compreensiva, deixando-se de lado “só um pouquinho” para abraçar a dor dos outros.
Mas quando a vida adulta bateu na porta, seguiu acreditando que não precisava dar atenção para a sua própria dor.
Sem perceber, seguiu colocando a pressão de ser a rede de apoio dos outros, mas quando se perde, acaba sozinha.
Eu acho que nunca consegui colocar limites porque nunca me foi apresentada essa opção.
Afinal, a vida adulta não vem com um manual de como não adoecer com tanta pressão.
Eu entendo o quanto alguém pode se sentir vazio mesmo estando cheio de coisas para atender.
Eu compreendo o seu desespero para se libertar das pressões que o sistema nos forçou a normalizar a vida inteira.
Mas infelizmente só percebi a necessidade de descansar a alma com remédios em mãos.
Então por favor, não se abandone.
Mesmo quando a internet ou as pessoas te vendem uma imagem “saudável” de uma rotina sobrecarregada.
Você não precisa curar o mundo, você necessita se curar do mundo.