A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (13) um aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido em suas refinarias. O novo valor passa a valer a partir deste sábado, quando o combustível será comercializado pela estatal a R$ 3,65 por litro.
O reajuste foi divulgado um dia após o governo federal anunciar um pacote de medidas para tentar conter os efeitos da alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo início da guerra envolvendo o Irã.
Reajuste supera redução de impostos
O aumento aplicado pela Petrobras é superior ao desconto previsto pelo governo com a isenção de tributos federais. O pacote anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, o que representa uma redução estimada de R$ 0,32 por litro.
Na prática, o reajuste da Petrobras supera esse valor, o que pode limitar o impacto da medida tributária no preço final do combustível.
Diesel ainda estava abaixo do preço internacional
Apesar da alta, o valor do diesel vendido pela Petrobras ainda estava abaixo da paridade internacional antes do reajuste. Segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, o preço praticado nas refinarias da estatal estava R$ 2,34 por litro abaixo da paridade de importação na abertura do mercado desta sexta-feira.
Essa diferença vinha sendo apontada por distribuidoras e importadores privados como um fator que desestimulava a compra do combustível no exterior, já que os preços internacionais estavam mais elevados que os praticados no mercado interno.
Pressão de transportadores e agronegócio
A escalada no preço do diesel ocorre em meio à preocupação de setores da economia com o aumento dos custos logísticos. Representantes do agronegócio e do transporte rodoviário pressionaram o governo por medidas para conter os efeitos da alta do petróleo.
Em ofício encaminhado ao governo, a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores chegou a ameaçar convocar uma greve de caminhoneiros, alegando falta de ações diante da crise e pedindo isenção de impostos e suspensão da cobrança de pedágios enquanto durar o cenário de instabilidade.
Já a Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário Interestadual Semiurbano de Passageiros solicitou à Agência Nacional de Transportes Terrestres o reequilíbrio econômico-financeiro das tarifas do setor para compensar o aumento dos custos operacionais.
Risco de desabastecimento preocupa mercado
Além da alta de preços, empresas do setor também alertam para o risco de falta de diesel no país. Distribuidoras de médio porte e importadores vinham informando ao governo que a defasagem de preços praticada pela Petrobras dificultava a importação do combustível.
Como o diesel estava sendo vendido no mercado interno por valores inferiores aos praticados no exterior, muitas empresas evitavam trazer o produto para o Brasil, o que poderia afetar o abastecimento caso a demanda aumentasse.
