O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) lançou uma licitação para contratar a elaboração de estudos e projetos de engenharia na região de Pelotas e Capão do Leão. O objetivo principal é resolver pontos críticos e aumentar a segurança em trechos urbanos das rodovias BR-116 e BR-293.
Os estudos abrangem três segmentos fundamentais para a mobilidade, totalizando mais de 14 quilômetros de intervenções projetadas. As áreas contempladas são: 5,3 quilôemetros da avenida João Goulart (BR-293); o trecho de 4,6 quilômetros BR-116 entre Pelotas e Capão do Leão; e mais 4,4 quilômetros da BR-293, em Capão do Leão. As vias atravessam bairros como o Fragata e o Jardim América.
A autarquia justifica a medida pelo crescimento populacional e o aumento do tráfego, que geram lentidão e riscos aos usuários. Conforme o edital, dados técnicos apontam que essas travessias são consideradas altamente críticas devido ao histórico de acidentes. As novas soluções devem facilitar o acesso e proteger pedestres e ciclistas.
Investimento
O valor estimado para o conjunto de projetos é de R$ 4,2 milhões, com um prazo de execução de 360 dias após a ordem de serviço. A licitação será decidida pelo critério de técnica e preço, com garantia de que a empresa vencedora tenha experiência em grandes obras rodoviárias, como viadutos e duplicações.
A abertura das propostas está marcada para o dia 5 de maio, de forma eletrônica. Esta etapa é essencial para que, no futuro, o governo possa licitar as obras físicas que podem transformar o trânsito da região.
O desafio de unir logística e cidade
Para professora e doutora em Transportes Terrestres da UFPel, Raquel Holz, o projeto contratado pelo Dnit precisa resolver o conflito entre o transporte de longa distância e a vida urbana. Segundo ela, o desenho de engenharia deve segregar quem passa por Pelotas de quem vive na cidade.
Ela sugere o uso de viadutos para o tráfego pesado, liberando o solo para a comunidade: “Viadutos ou elevados para veículos pesados liberam níveis inferiores para pedestres, ciclistas e tração animal, enquanto rotatórias e traffic calming (medidas de acalmamento de tráfego) reduzem velocidades sem bloquear cargas.”
Segurança em zonas populosas
A análise técnica foca em áreas críticas citadas no edital, como o Fragata e o Jardim América. A professora destaca que a visibilidade e a proteção dos moradores dependem de detalhes no projeto. “Ciclovias segregadas e refúgios em canteiros centrais melhoram a visibilidade e segurança nestes bairros, mantendo faixas dedicadas para logística. Passarelas ou depressões garantem travessias seguras.”
Infraestrutura para o futuro regional
Além das grandes estruturas de concreto, a professora ressalta que o projeto deve incluir medidas de baixo custo e alto impacto, como a melhoria da sinalização e o controle de velocidade. “Essas soluções são especialmente importantes em áreas de expansão urbana e industrial, onde a rodovia passa a ter também função urbana. Estudos como esse são fundamentais para preparar essa infraestrutura para o crescimento da região”, acrescenta.

Trecho totaliza área superior aos 14 quilômetros e cruza a zona urbana do município (Foto: Reprodução)
