Dezenas de pessoas bloquearam a rua em frente à Câmara de Vereadores de Pelotas na manhã desta quinta-feira (12) em protesto contra a suspensão do projeto Vida Ativa, da Prefeitura. Entre música, apitos e gritos entoando o nome do programa, os participantes reivindicavam a votação de um recurso que busca garantir a continuidade das atividades.
Os manifestantes começaram a chegar por volta das 9h e foram ocupando a rua Quinze de Novembro, em frente ao prédio do Legislativo. Nem mesmo o sol forte e o calor impediram a mobilização dos participantes, muitos deles alunos do projeto há anos.
Participante do Vida Ativa no núcleo da Cohab Lindóia, Maria Regina afirma que a decisão causou surpresa entre os alunos. “A gente entende que às vezes as pessoas que coordenam as coisas mudam, que pode haver troca de gestão, isso faz parte. Mas o que a gente não entende é porque uma decisão dessas acontece sem que fique claro para a população”, diz.
No momento do protesto, os vereadores realizavam uma Sessão Ordinária no plenário. Algumas pessoas foram autorizadas a entrar na Casa mediante apresentação de documento de identificação, enquanto a maioria – formada principalmente por idosos – permaneceu na rua acompanhando a movimentação.
Após bloquearem a via, os participantes transformaram o protesto em uma demonstração simbólica do próprio programa. Em meio à manifestação, foi realizado um aulão de ritmos, com música e coreografias que costumam fazer parte das atividades oferecidas pelo Vida Ativa. Enquanto dançavam, os manifestantes gritavam o nome do projeto, batiam panelas, assopravam apitos e pediam a votação do recurso que pode permitir a retomada do programa.
Alguns vereadores favoráveis à continuidade do Vida Ativa saíram do prédio da Câmara para conversar com o público, explicando a situação do projeto e as medidas que estão sendo discutidas para tentar reverter a decisão.
Entre os participantes, a expectativa é de que o debate avance nos próximos dias. “A nossa expectativa é que a gente tenha alguma resposta e que tudo seja esclarecido. O que a gente espera é que qualquer decisão seja tomada pensando no povo, porque os bairros precisam e as pessoas precisam muito desse projeto”, acrescenta Maria Regina.
Criado a partir do Programa de Esporte e Lazer na Cidade (Pelc) e mantido pelo município há mais de 13 anos, o Vida Ativa oferece atividades físicas gratuitas como ritmos, pilates, ginástica e treinamento funcional em dezenas de núcleos espalhados pela cidade, atendendo cerca de 3 mil pessoas por mês. Ao longo de sua trajetória, o programa já beneficiou mais de 34 mil participantes, em sua maioria idosos e pessoas de baixa renda, tornando-se também um importante espaço de convivência e combate ao isolamento social.
