Uma frase do presidente da Câmara de Vereadores de Pelotas, Michel Promove (PP), na tribuna da Câmara de Vereadores de Pelotas durante a sessão de ontem é a mais transparente dita na política pelotense em muitos anos: “harmonia dos poderes é uma pinóia”, exclamou. Promove deixou clara as insatisfações com o governo, com a forma como lida com a relação com o parlamento e as brigas constantes entre os poderes. Mas enquanto o Executivo e o Legislativo trocam farpas constantes, em uma briga de cão e gato, a população começa a sentir os impactos. Entre vídeos, discursos e trocas de acusações, no fim do dia, é o pelotense quem paga o preço. Literal e figurativamente.
Fato é que Pelotas vive em um belicismo político como raramente visto, talvez nunca antes foi igual. Prefeitura e Câmara de Vereadores pouco ou nada conseguem dialogar. Sabe-se que na política não há santo. Mas o diabo, ele sim, reside na falta de conversa, no ego, no beiço. Quando falta o mínimo de republicanismo e entes dos poderes recusam-se a sequer debater uns com os outros, ou buscam criar guerra de narrativas, quem perde é a comunidade.
Pelotas está travada no que depender da política. O governo não parece saber mais como contornar a crise com a Câmara. A Câmara vem criando quase uma administração paralela, tamanha a discordância de tudo o que vem do Executivo. Não há indícios de haver negociação significativa para resolver isso. Não há qualquer acordo ou alinhamento. E essa crise, que se arrasta desde o ano passado, culminou agora no barramento do programa Vida Ativa, uma das iniciativas mais positivas que a cidade tinha, voltado à terceira idade, um público tão carente.
A batalha política implodiu o projeto que beneficiou mais de 30 mil pelotenses em uma idade sensível, que a prática esportiva e a socialização são fundamentais para a saúde física e mental. Mais uma vez, quem paga o preço é a comunidade. Esse talvez seja o primeiro de muitos outros impactos que a cidade terá se os nossos políticos não tiverem o mínimo de bom senso e hombridade para deixar os egos de lado e levar em consideração o que eles foram eleitos para fazer: pensar em uma cidade para as pessoas.
