Rio Grande recebe, até julho, o projeto Carreta Digital, uma iniciativa do Ministério das Comunicações executada pela Rede Brasileira de Certificação, Pesquisa e Inovação (RBCIP), em parceria com a prefeitura. As atividades na carreta são direcionadas a estudantes da rede municipal, oriundos de famílias de baixa renda, previamente inscritos pelas escolas. Pelos cálculos da SMEd, devem ser beneficiados 1,5 mil alunos, até meados de julho deste ano, contemplando 32 escolas municipais.
Lançado em 2024, o projeto já capacitou mais de 11 mil jovens em diversos estados, e a meta do Ministério das Comunicações é certificar mais de 20 mil alunos em todo o Brasil. A Carreta Digital é um laboratório tecnológico itinerante, equipado com cerca de 30 computadores de alto desempenho, notebooks e impressora 3D. O veículo, avaliado em aproximadamente R$ 1,8 milhão, oferece cursos voltados à inclusão digital, programação, montagem e manutenção de computadores e desenvolvimento de jogos, permitindo que os estudantes tenham contato prático com tecnologias que fazem parte do cotidiano e do futuro do mercado de trabalho.
Inclusão digital
Para muitos estudantes, a experiência representa o primeiro contato com um computador. É o caso de Mateus Miguel da Rosa, aluno da Escola Municipal Bilíngue Carmen Baldino. Durante a inauguração, ele contou que não possui computador em casa e vê no projeto uma oportunidade importante para ampliar seus conhecimentos. Interessado em seguir carreira nas áreas de Meio Ambiente ou Biotecnologia, Mateus participa do curso de Programação de Dados oferecido na carreta. Paralelamente, também estuda Libras, na própria escola, para melhorar a comunicação com a mãe, que tem deficiência auditiva.
Monitor de um dos cursos, Charles Machado explica que cada turma reúne cerca de 30 estudantes e trabalha conteúdos introdutórios sobre o funcionamento dos computadores. “Eles aprendem como o computador interpreta as informações e como o hardware interage com o software por meio do sistema operacional. Também desenvolvem atividades práticas, como desmontar e montar equipamentos e resolver problemas básicos”, explica.
Charles cita que muitos alunos estão tendo o primeiro contato com a tecnologia e é preciso simplificar bastante o conteúdo para o melhor aprendizado. “É comum que alguns cheguem sem experiência, mas o interesse é grande”. Ao final dos cursos, todos recebem um certificado de conclusão.
Estímulo ao futuro
A secretária da Educação, Cleuza Dias, destaca o impacto da iniciativa na formação dos estudantes. Disse que, mesmo em fase inicial, o projeto já tem recebido retorno positivo dos participantes. “Os estudantes estão gostando muito das atividades. Alguns que já participaram da primeira semana querem voltar para fazer outros cursos. Além de oferecer formação, o projeto incentiva os alunos a refletirem sobre seu futuro e as possibilidades de carreiras ligadas à tecnologia”, afirma.
A coordenadora regional da Carreta Digital, Tailini Mauami também frisa que o projeto busca levar inclusão digital a estudantes que muitas vezes não têm acesso a equipamentos tecnológicos. Disse que “são laboratórios itinerantes que chegam a diferentes regiões do país, oferecendo oportunidades a meninos e meninas que, em muitos casos, nunca tiveram um computador à sua frente”. Na carreta, uma das oito espalhadas pelo Brasil, eles aprendem a montar e dar manutenção em equipamentos, desenvolver jogos e utilizar tecnologias como a impressão 3D.