Um canetaço do dia para a noite criou o Parque Nacional do Albardão no extremo sul do Estado. Em que pese a necessidade – justa – de preservação ambiental e de medidas que garantam a existência de unidades de conservação em áreas sensíveis, é fato que a forma como o tema foi lidado não foi bem tramitada. Faltou diálogo, falta clareza e, principalmente, falta noção de regionalismo. Quando uma medida é assinada “à distância”, sem a comunidade sentir-se incluída, ela naturalmente gera desconforto. E esse é o grande erro do governo federal ao lidar com o caso.
Em um país de proporções continentais como o Brasil, é importante compreender que não há como adotar medidas sem levar em consideração a realidade de cada comunidade. Há cerca de um ano situação similar aconteceu com Candiota, quando por meses arrastou-se a renovação do uso de uma das usinas termelétricas do município. São dois pontos que devem ser considerados: sim, a questão ambiental é urgente e precisa de medidas práticas e efetivas. Não, o canetaço ações abruptas não são a solução.
Quando a realidade econômica de uma comunidade é alterada do dia para a noite, a preocupação é natural. Afinal, atividades profissionais carregam também a própria cultura daquele lugar. Não é de uma hora para outra que um pescador pode deixar de exercer sua profissão. Há uma outra frente, a da geração de renda a partir do turismo e da economia do mar, mas isso é imprevisível neste momento. Por isso, a transparência nas fases anteriores era tão necessária. Se não há certeza, é porque houve falha. As escutas públicas foram, no mínimo, insuficientes. E mudanças são impopulares quando feitas dessa maneira.
Há a certeza de que a proteção ambiental e o desenvolvimento econômico podem, e devem, andar juntos. Esse é o caminho. Há uma vertente que vê de maneira muito favorável essa instituição do parque, e isso talvez renda ótimos resultados no futuro. Mas, para isso, talvez seja momento de dar um passo atrás, conversar mais e explicar melhor antes que tudo entre em vigor de uma maneira abrupta.