Um mês depois, família e apoiadores voltam às ruas por justiça por Marcos Nörnberg

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Um mês depois, família e apoiadores voltam às ruas por justiça por Marcos Nörnberg

Protesto pede responsabilização dos envolvidos, mais transparência nas investigações e a realização de audiência pública em Pelotas

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Um mês depois, família e apoiadores voltam às ruas por justiça por Marcos Nörnberg
(Foto: Nátalli Bonow)

Dezenas de pessoas voltaram às ruas neste sábado (21) para cobrar justiça pela morte do agricultor Marcos Nörnberg, ocorrida durante uma ação da Brigada Militar em sua propriedade, no dia 15 de janeiro. A caminhada reuniu familiares, amigos e apoiadores, que pedem a responsabilização dos envolvidos e mais transparência nas investigações, ainda sem conclusão.

A manifestação teve início às 15h, no Altar da Pátria, no Parque Dom Antônio Zattera, e seguiu pela avenida Bento Gonçalves, com os participantes carregando uma faixa com a foto de Marcos. Vestidos de preto, muitos levavam no peito o adesivo que simboliza o movimento: “Queremos justiça por Marcos”.

A caminhada seguiu em direção ao local onde ocorre a tradicional Feira de Terça-feira, próximo à esquina da avenida Bento Gonçalves com a rua Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, onde Marcos mantinha uma banca de morangos. No meio do trajeto, os manifestantes passaram em frente ao 4º Batalhão de Polícia Militar (4º BPM), onde interromperam o trânsito por alguns minutos e realizaram um protesto silencioso, posicionando a faixa em direção ao prédio. Durante o percurso, motoristas que passavam pelo local buzinavam em sinal de apoio ao ato.

Para Raquel Nörnberg, viúva de Marcos, a caminhada representa um momento de busca por respostas e por mais segurança. “Essa caminhada representa o apoio de familiares, amigos, da comunidade e de tantas pessoas que se solidarizaram conosco. Assim como a nossa família, essas pessoas não querem ‘caçar bruxas’. Querem apenas que tudo seja apurado de forma transparente”, afirma.

Câmeras corporais

Durante a manifestação, a família também defendeu a adoção obrigatória de câmeras corporais por policiais. “Tenho absoluta certeza de que, se naquele dia o uso de câmeras corporais fosse obrigatório, tudo teria sido diferente. Meu marido não teria sido morto, minha casa não teria sido invadida da forma que foi, e eu também não teria sido torturada nem vivido os piores momentos da minha vida”, desabafa a viúva.

Para os familiares, o caso expõe a necessidade de mudanças para evitar que situações semelhantes aconteçam com outras famílias. “Assim como aconteceu com a gente, poderia ter acontecido com qualquer pessoa que está aqui hoje, ou com alguém que está em casa, vivendo a sua vida em paz”, afirma Rodrigo, filho de Marcos.

Família cobra audiência pública

Outra reivindicação é a realização de uma audiência pública em Pelotas para debater o caso e ouvir autoridades e a comunidade. A proposta já foi aprovada pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, mas ainda aguarda definição de data.

A família pede que o encontro ocorra nos primeiros dias de março, como forma de manter o caso em debate e pressionar por respostas. “Quanto mais a gente falar sobre o que aconteceu e contar o que aconteceu, mais rápida e mais transparente será a investigação. Estou contando muito com esse agendamento”, afirma Raquel.

Dor e espera por justiça

A Polícia Civil não concluiu as investigações dentro do prazo inicial do inquérito. Agora, é necessário aguardar pelo menos até março para novos esclarecimentos. A viúva acredita que a demora esteja relacionada ao envolvimento da BM. “Para mim, as coisas são muito claras. Foram três crimes graves: invasão à propriedade às três horas da manhã, tortura e homicídio”, afirma. “Esses crimes foram autorizados, comandados e executados por alguém Todas essas pessoas precisam ser punidas da forma que a lei determina”, acrescenta.

A Corregedoria-Geral da Brigada Militar também avalia a realização de uma simulação na casa da família para reconstituir a dinâmica da ação. “Para mim, isso é uma tortura. Mas, se for necessário para que consigam responsabilizar e punir os envolvidos, eu concordo”, afirma. Até o momento, nem a família nem o advogado foram procurados para o agendamento

Enquanto novos desdobramentos não acontecem, após mais de um mês sem o marido, o sentimento de Raquel ainda é o mesmo: vazio. “A falta que eu sinto do Marcos é algo que vocês não têm ideia. Ele era meu companheiro, meu amigo, a pessoa com quem eu tinha prazer de acordar e também de sair do trabalho correndo para chegar em casa e ficar junto. Os meus dias têm sido muito vazios”, conclui.

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