Com 39 gatos resgatados e o acompanhamento de quatro colônias de cerca de 50 animais, o Me Adota Pelotas atua no cuidado, tratamento e encaminhamento para adoção responsável de gatos em Pelotas. Sem apoio fixo ou recursos públicos, o projeto depende da ajuda da comunidade para custear despesas e manter os cuidados.
A iniciativa é conduzida por cinco mulheres, entre elas a fundadora Lorrayne Menezes. O trabalho começou após o auxílio a uma colônia, mas consolidou-se como uma ação contínua de proteção animal com a criação do perfil nas redes sociais.
Muitas pessoas não entendem a devolução ao local de origem após a castração. Por que essa prática é necessária em alguns casos?
Gostaríamos que todos conseguissem um lar, mas essa não é a realidade. Em alguns casos, a única alternativa é castrar e devolver ao local de origem, principalmente com gatos ariscos. Já conseguimos amansar gatos que, depois, foram adotados. Quando isso não é possível, a devolução responsável garante que o animal não continue se reproduzindo e ampliando o ciclo de abandono e sofrimento. Também reduz a disseminação de zoonoses, disputas territoriais e brigas que geram ferimentos e transmissão de doenças.
Qual é a situação dos gatos de rua hoje em Pelotas?
Encontramos colônias com reprodução descontrolada, o que faz com que o número de gatos aumente rapidamente. São animais, na maioria das vezes, magros, assustados, muito ariscos e sem qualquer acompanhamento veterinário, com vermes. Também resgatamos animais com doenças graves, como câncer, problemas respiratórios e renais, além de casos de esporotricose, giárdia, isospora, FIV e FeLV.
Gatos adultos e ariscos são mais difíceis de doar?
Existe uma preferência por filhotes, muitas pessoas acreditam que são mais fáceis de adaptar ou garante um vínculo maior. Mas adultos também se adaptam, precisam apenas de introdução correta, assim como os ariscos ou medrosos. Um dos gatos que resgatei ficou comigo porque ninguém quis adotá-lo por ser arisco. Hoje, é o mais carinhoso da casa. Isso mostra que só precisam de uma oportunidade. Também percebemos a influência da aparência na escolha: gatos pretos, preto e branco, escaminhas e tigradinhos demoram mais a encontrar um lar. No fim, só querem cuidado e, quando recebem, retribuem com carinho e lealdade.
O que emocionalmente é mais difícil nesse trabalho? E o que mais recompensa vocês?
O mais difícil é ver a realidade dos animais e, muitas vezes, não conseguir ajudar todos. Temos limites de recursos, espaço e emocionais. Já resgatamos um gatinho que passou dias em um condomínio com esporotricose. Levamos para a clínica com muita esperança, mas ele não resistiu. Manter o psicológico equilibrado é um dos maiores desafios. O que nos recompensa é cada vida transformada.
Como as pessoas podem ajudar o projeto?
Recebemos doações via Pix e contamos com a assinatura mensal (disponíveis no instagram @meadotapelotas). Temos uma parceria com a Petz, usando nosso cupom o cliente ganha 10% de desconto e nós recebemos uma porcentagem. Também é possível ajudar apadrinhando animais, sendo lar temporário ou compartilhando nossas publicações. E, claro, a adoção continua sendo uma das formas mais transformadoras de apoio. Cada ajuda, por menor que pareça, impacta diretamente na vida deles.