Faltando dez dias para o fim do contrato de concessão da Ecovias Sul no polo rodoviário de Pelotas, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que assume oficialmente a manutenção e a gestão dos trechos das BRs 116 e 392 a partir do dia 4 de março, alerta para a possibilidade de engarrafamentos durante a transição. Ainda segundo o órgão, não há possibilidade de contrato com a atual concessionária.
O superintendente do Dnit no Rio Grande do Sul, Hiratan Pinheiro, destaca que com a incorporação dos quase 500 quilômetros do polo de Pelotas, o Rio Grande do Sul passará a ter cerca de cinco mil quilômetros de rodovias federais sob gestão do órgão, tornando-se uma das maiores malhas administradas pela autarquia no país.
As mudanças imediatas com o fim do pedágio consistem em cancelas inoperantes (cabines das praças permanecem no local, mas desativadas). Com isso, o fluxo de veículos será direcionado lateralmente, passando ao lado das estruturas centrais e as antigas pistas automáticas serão reduzidas, concentrando o tráfego em duas faixas. Esse afunilamento nas praças é considerado o principal ponto crítico da transição.
“Certamente os primeiros serviços serão de sinalização e ajustes operacionais, principalmente nas praças de pedágio, que é o ponto mais sensível”, explica. A orientação do órgão federal é que motoristas redobrem a atenção à sinalização e reduzam a velocidade ao se aproximarem das antigas praças, já que a configuração da pista será diferente da atual. “É possível formação de filas, especialmente nos horários de maior movimento”, admite.
O Ministério dos Transportes solicitou que não fossem feitas demolições no momento, apenas direcionar o fluxo. Em relação aos serviços prestados, com o encerramento da gestão da Ecovias, as bases físicas de atendimento ao usuário serão fechadas. Não haverá mais socorro médico ou mecânico vinculado à concessão, ficando à cargo dos municípios.
O atendimento passa a seguir o modelo dos demais trechos federais sob responsabilidade do Dnit. “Em casos de acidentes, a atuação será feita por órgãos como a Polícia Rodoviária Federal (PRF), como já ocorre em rodovias federais não pedagiadas”, cita Pinheiro. O Dnit informou ainda que irá assinar contrato de vigilância para evitar vandalismo nas estruturas das antigas praças.
Contratos
Para assumir o trecho, o Dnit estruturou quatro contratos de manutenção para os trechos que compreendem a BR-116 entre Camaquã e Pelotas; BR-116 entre Pelotas e Jaguarão; BR-392 entre Santana da Boa Vista e Pelotas, e BR-392 entre Pelotas e Rio Grande. “A documentação está em fase final e as empresas já foram comunicadas para mobilização prévia de equipes e equipamentos, a fim de garantir a continuidade dos serviços básicos de conservação”, garante o superintendente.
Sem balanças
De acordo com o superintendente no Estado do Dnit, as balanças instaladas nas praças também deixarão de funcionar a partir da virada do dia 4. Atualmente, o órgão não possui contrato ativo que permita a operação imediata desses equipamentos nesses pontos. Mas há possibilidade de ampliação de operacionalização, através de contrato. A fiscalização de excesso de peso ficará limitada às ações possíveis pela PRF, até eventual ampliação contratual.
Durante visita ao Estado, o ministro dos Transportes, Renan Filho, assegurou que os recursos para manutenção do trecho serão mantidos no mesmo patamar investido no último ano pela concessionária, no que se refere a pavimentação e conservação.
Nova concessão segue em estudo
Segundo Pinheiro, o Ministério dos Transportes trabalha em um novo modelo de concessão para o Estado e não há possibilidade de prorrogação temporária do contrato atual. A expectativa é que, ao longo de 2026, sejam realizadas audiências públicas para apresentação do novo projeto, que poderá incluir obras de ampliação e duplicação, além de um modelo de cobrança possivelmente baseado em sistema free flow, com tarifa proporcional ao trecho percorrido.
Ponte e duplicação da 293
Hiratan Pinheiro destaca ainda que já foi homologado o consórcio vencedor para a recuperação da ponte sobre o canal São Gonçalo, formado pelas empresas Artilésio, Gaspar e Cidades, todas com experiência em obras de grande porte, entre elas, a ponte sobre o Rio Camaquã, em Cristal. O contrato deve ser assinado em março e, por se tratar de contratação integrada, o grupo será responsável pela elaboração do projeto executivo ao longo do primeiro semestre de 2026. A expectativa é que o projeto seja aprovado no segundo semestre, possibilitando a emissão da ordem de serviço e o início das obras.
Sobre a duplicação da BR-293 no trecho que compreende a avenida Presidente João Goulart e liga Pelotas às BRs 392 e 116, explicou que o edital do projeto está em análise na Procuradoria Federal e deve ser publicado ainda em março, após parecer favorável. Ele destaca que o objetivo é avançar com os estudos técnicos para viabilizar a ampliação da rodovia, considerada estratégica para a região Sul.
O superintendente também ressaltou que, paralelamente, o Dnit acompanha os estudos da nova concessão da Rota Portuária Sul e defende que o processo contemple as principais demandas de infraestrutura, com tarifas equilibradas e inclusão das obras prioritárias para garantir segurança e desenvolvimento econômico.
