Há 50 anos
O 14º Congresso Estadual de Orizicultores, realizado em Pelotas entre 30 de janeiro e 1º de fevereiro de 1976, jogou luzes sobre a produção e o beneficiamento do arroz no município. Entre as empresas em destaque estava a Coronel Pedro Osório S.A., na época integrada ao Grupo Empresarial Arthur Lange.
A história da empresa, surgiu a partir do trabalho pioneiro do seu fundador, Pedro Luiz da Rocha Osório, a partir de 1907, quando o empreendedor fez sua primeira incursão na cultura do arroz, experiência que o conduziria a uma série de realizações como a implantação de mais de uma dezena de lavouras e dois engenhos, o do Cascalho e o Engenho São Gonçalo, este último, fundado em 1922 na região histórica do Passo dos Negros, às margens do Canal São Gonçalo, próximo a uma charqueada do mesmo proprietário.
Em 1912, Osório visitou a Estação Experimental de Rizicultura de Vercelli, na Itália, de onde trouxe novas técnicas de cultivo. A seguir investiu em maquinário alemão, com o objetivo de ampliar a produção do engenho do Cascalho. A Primeira Guerra Mundial beneficiou o empresário, que abriu novos locais de comércio na Europa, impulsionando a produção de arroz.
Rei da América Latina
Na década de 1970, o Engenho do São Gonçalo atendia à necessidade de armazenamento e beneficiava 700 mil sacos de arroz em casca, 1,2 mil em dez horas, tornando o empreendimento, um dos maiores da América do Sul.
Outro empreendimento do grupo, a Integral Arroz e Trigo S.A., era a única empresa do país e foi a segunda do mundo a produzir arroz parboilizado.
O “Rei do Arroz”, como ficou conhecido, ainda atuou no campo político, sendo muito influente. Chegou a se tornar vice-governador do Estado – entre outros cargos, e morreu em 28 de fevereiro de 1931, portanto há quase 95 anos.
Fevereiro de 1931
A morte repentina do empreendedor, em Palmeira, causou uma comoção na região Sul do Estado. O corpo do empresário e político foi transportado em trem especial para Pelotas, parando para receber homenagens nas estações de Cruz Alta, Tupanciretã, Júlio de Castilhos, Santa Maria, Bagé, Pedras Altas, Cerro Chato, Piratini, Arroio Grande, Passo das Pedras, Capão do Leão, Teodósio e Basílio. No município, cerca de 20 mil pessoas compareceram nas despedidas fúnebres de Osório.
Por sua vez, o engenho São Gonçalo foi fechado em 1994, porém sua estrutura, incluindo as casas dos operários e a antiga escola Visconde de Mauá (que atendia os filhos dos trabalhadores da empresa), permanece e pode ser observada por quem passa na Estrada do Engenho ou circula em embarcações pelo canal São Gonçalo.
Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; Olhares sobre Pelotas; livro O tropeiro que se fez rei (2013), de Vera Rheingantz Abuchaim
Há 90 anos
Rainha do Diamantinos é homenageada em baile na segunda-feira de Carnaval
A rainha Neda Soares Xavier liderou os bailes de Carnaval do Clube Carnavalesco Diamantinos, em 1936. A primeira festa, chamada Réco-réco, ocorreu no dia 23 de fevereiro, abrindo as atividades. O apogeu aconteceu no baile de gala realizado no dia 24, uma segunda-feira de folia, às 22h, evento que ocorreu no salão do Clube Caixeiral.
A organização deste baile de gala ficou a cargo de quatro comissões: central, liderada por Oscar Luiz Pereira; casais, liderada por Francisco Biaggio; senhorinhas, com a rainha de 1934, Margarida Pires Rodrigues, entre outras; cavalheiros, com nomes como Carlos Z. Rosseli e Mario S. Agrifoglio. Nos convites oficiais publicados na imprensa local, era o nome de Neda, que aparecia como a homenageada da noite.
Tema
A animação foi da orquestra Chiquinho, que apresentou um novo repertório, e do 9º Regimento. A decoração do salão teve como tema “Uma noite no polo norte”. No dia do evento, Neda foi conduzida ao baile em um cortejo que saiu da sua casa, até o Clube Caixeiral.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense