A Tamborada realiza duas apresentações inéditas neste fim de semana em Pelotas, marcando o encerramento da temporada de verão com novos formatos e ocupações culturais na cidade. Idealizado em 2017 pelo cantor, compositor e instrumentista Kako Xavier, o projeto artístico e cultural reúne cerca de 40 integrantes e se dedica à valorização dos tambores gaúchos, especialmente o tambor praieiro e o sopapo, com base na praia do Laranjal e atuação também no balneário Cassino, em Rio Grande.
A primeira agenda ocorrerá no sábado (21), a partir das 19h, na 4Galeria, na rua Doutor Amarante, 608, ocupando a área externa do espaço. A proposta surgiu a partir de articulação da produtora cultural Mari Neuwald com a fotógrafa e empresária Mariana Rachinhas. Para Xavier, a escolha dialoga com o momento do grupo. “Poder fazer um evento de rua e tentar também contemplar outros lugares de Pelotas que não seja só a praia do Laranjal, que é onde a gente se apresenta mais”, afirma.
O pátio da galeria possibilita o formato característico da Tamborada. “Não é palco, é o formato tablado, que a gente se espalha, fica próximo do público”, explica o músico. A expectativa é reunir entre 20 e 25 integrantes tocando juntos, incluindo banda base e tamboreiros da praia do Cassino, que virão especialmente para este evento. Mais informações podem ser obtidas na rede social @projetotamborada e as vendas de ingressos para o show na 4Galeria Café são feitas pelo telefone da produção: (53) 99972-7471.
Tamboreiros mobilizados
No domingo (22), o grupo participa da tradicional Feijoada do Gordo, no Caça e Pesca, evento beneficente em favor da Oncologia da Santa Casa de Pelotas. A mobilização dos tamboreiros surpreendeu até a organização. “Era pra levar uns oito ou dez componentes e vamos levar 27”, relata Xavier, destacando o envolvimento dos participantes.
A Tamborada nasceu da pesquisa de Xavier sobre os tambores do Rio Grande do Sul e tem como protagonistas instrumentos artesanais como o tambor de sopapo — patrimônio imaterial de Pelotas, o tambor praieiro, criado pelo artista em 2017 a partir do tambor de maçambique, e o tambor de mão, ligado ao batuque. O repertório reúne composições próprias e arranjos que exaltam a identidade do Laranjal, do Cassino, da lagoa e do mar.
Carnaval do Cassino
Embora tenha se fortalecido nos últimos anos no Cassino, o bloco de Carnaval da Tamborada não desfilou na avenida em 2026. Após duas edições, a primeira com 300 participantes, o grupo optou por pausar o cortejo para reestruturar a proposta. “Fazer desfile na rua, a gente espera fazer quando tiver oportunidade e recurso, pra fazer de uma forma mais adequada”, afirma Xavier. A produtora Mari Neuwald observa que o balneário possui tradição de grandes blocos, com estruturas robustas, e que a Tamborada tem “um perfil sonoro diferente”.
Em vez do desfile, o coletivo manteve apresentações em espaços como a Casa de Cultura Bianchini e a livraria Hippocampus. “Esse ano não teve, o bloco foi meio parado”, brinca Xavier. “Por enquanto, a gente foi pros lugares.”
A energia do tambor
Mais do que um projeto musical, a Tamborada consolidou-se como espaço de convivência e transformação pessoal. “Além de ser um projeto musical, a gente tá vendo que as pessoas também se envolvem, tá fazendo bem pra vida dessas pessoas”, destaca o artista. Para ele, o tambor também assume dimensão terapêutica: “Quando o tambor bate, faz a conexão contigo, ele mexe com as tuas coisas.”
As duas agendas deste fim de semana sintetizam essa proposta de proximidade e troca. “Quem for ali na 4Galeria vai sentir o que é a festa da Tamborada”, projeta Xavier. “É uma energia de cura, de encontro, de amor, que eu acho que é isso que as pessoas depois levam para casa também”, fala Mari.
