Desde a movimentação no comércio da cidade, geração de emprego até a arrecadação de sete toneladas com o ingresso solidário, o Carnaval de Pelotas 2026 deixa como demanda a ampliação da estrutura da Passarela do Samba, que ficou pequena para os cerca de 50 mil foliões que circularam pelo Porto nos quatro dias de folia de Momo. A economia da cidade também foi impactada com a movimentação de quase R$ 1 milhão entre investimentos das agremiações, blocos de rua e comercialização de bebidas.
Realizado na data oficial do calendário nacional, dez anos depois, o Carnaval foi considerado um marco de retomada pela Prefeitura. “Foi um Carnaval excepcional. Retomamos a data oficial, quando o país inteiro está mobilizado, e isso se refletiu aqui. Tivemos um sucesso total de público e organização”, avalia a vice-prefeita Daniela Brizolara (PSOL).
Ao todo, 24 entidades participaram da programação na Passarela do Samba, entre escolas de samba, escolas mirins, blocos burlescos e bandas carnavalescas. Somente no entorno da passarela, a estimativa da Guarda Municipal é de que quase 50 mil pessoas tenham circulado nas quatro noites. A primeira e a terceira noites reuniram cerca de 15 mil foliões cada.
Para o prefeito Fernando Marroni (PT), o sucesso de público, no entanto, expôs a limitação da estrutura. Em pelo menos dois dias houve filas e o público não conseguiu acessar arquibancadas, camarotes e mesas. A fila para compra de camarotes começou a se formar 48 horas antes da abertura das vendas, no Largo do Mercado Central. “Tínhamos 20 camarotes e cerca de 40 pessoas interessadas na fila. Para o próximo ano, com a data certa do Carnaval, vamos ampliar arquibancadas e estudar a possibilidade de camarotes em dois andares”, adianta o chefe do Executivo em entrevista à Rádio Pelotense. A manutenção da passarela na região do Porto está prevista, assim como a retomada do protagonismo da Folia na região, que recebeu turistas do Uruguai e de cidades da Zona Sul.
O ingresso solidário, com doação de um quilo de alimento não perecível para até quatro pessoas por noite, somou sete toneladas de alimentos, que serão destinadas pelas secretarias de Assistência Social e Defesa Civil a instituições de caridade. Na área da segurança, foram registradas apenas oito ocorrências de menor potencial, como perturbação de sossego e desacato, sem registro de violência grave. O evento contou com 80 policiais da Brigada Militar e 30 agentes da Guarda Municipal.
“Conseguimos garantir uma boa segurança para o Carnaval, porque em eventos de multidões causam apreensão, mas aqui [Pelotas] correu tudo muito bem”, destaca Marroni. Ele lembra que as secretarias atuaram diretamente, como a da Saúde com campanhas na passarela do samba, a de Igualdade Racial e a da Mulher com a campanha do Não é Não. “Foi uma experiência vitoriosa.”
Impacto positivo
Para colocar as três escolas do grupo especial na passarela, a campeã General Telles, a vice-campeã, Unidos do Fragata e a terceira colocada, Academia do Samba foram investidos cerca de R$ 400 mil na economia local, conforme a presidente da Associação das Entidades Carnavalescas de Pelotas (Assecap), Vanessa Veleda. Somadas às escolas mirins, bandas e blocos burlescos, o investimento ultrapassa R$ 800 mil. Com 61 blocos participando da programação, segundo a Liga dos Blocos e Cordões Carnavalescos, o volume de bebidas comercializadas nas copas dos blocos girou em mais de R$ 100 mil, além da contratação de serviços de som, luz, segurança e banheiros químicos.
Mais de mil empregos
No total, a organização estima mais de 1,2 mil empregos diretos temporários, além dos indiretos, envolvendo costureiras, bordadeiras, serralheiros, músicos, técnicos de som e comerciantes. Foram cerca de 100 ambulantes credenciados para atuar na Praça de Alimentação e na área da passarela. Entre as 24 entidades que desfilaram, mais de 20 mil componentes participaram das apresentações. Só nas bandas carnavalescas foram mais de nove mil integrantes.
Data oficial
Para o presidente do Kibandaço, Ezequiel Malheiros Cardoso, a realização na data oficial impulsionou a adesão. “Em 2024 sobraram 400 abadás. Em 2025 esgotaram. Este ano tivemos que abrir o quarto lote e vendemos dois mil abadás. Muita gente ficou de fora”, relata. O presidente do bloco Dona da Noite, Paulo Ricardo Furtado Moraes, defende que a cidade valorize o próprio potencial. “Temos quase 300 mil habitantes. Não precisamos perder público para outras cidades. Se o investimento continuar sério e organizado, vamos recuperar o protagonismo do nosso Carnaval.”
