Silva Paes chegava para consolidar a presença portuguesa ao sul do continente

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Silva Paes chegava para consolidar a presença portuguesa ao sul do continente

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Há 289 anos

A chegada da esquadra de guerra comandada pelo Brigadeiro José da Silva Paes, em 19 de fevereiro de 1737, deu início à história do município mais antigo do Rio Grande do Sul. Localizada na margem Sul do estuário que conduz ao oceano as águas da Laguna dos Patos e seus afluentes, a cidade começou a surgir, com o objetivo de assegurar aos portugueses a posse das terras do Sul, os quais mediam forças em violentas batalhas contra os espanhóis-castelhanos, em territórios hoje pertencentes ao Rio Grande do Sul e ao Uruguai, antiga Colônia do Sacramento.

Na primeira fortaleza, levantada em local julgado mais propício a operações portuárias, erigiu-se o primeiro templo. O Brigadeiro Silva Paes, devoto da Sagrada Família, deu ao Estabelecimento Militar, classificado como Presídio, o nome Jesus, Maria e José. Em seguida, com o propósito de defender aquele reduto de algum ataque pela retaguarda, determinou a construção de um Forte, cerca de 3 km adiante, lá onde se estreita a ponta de terra escolhida para implantação do Presídio.

A Freguesia transformou-se rapidamente em Povoado, graças ao impulso dado pelos colonos, provenientes das Ilhas dos Açores e Madeira, aqui chegados na década de 1750. Em 1751, o povoado foi elevado à condição de Vila do Rio Grande de São Pedro, tendo seus limites demarcados.

Em 1760 o Rio Grande, que antes estava sujeito a Capitania de Santa Catarina, era Capital da nova Organização Administrativa, a Capitania do Rio Grande de São Pedro. Mas os conflitos entre Portugal e Espanha, por disputa de terras no extremo sul, ainda eram constantes. Assim, no ano de 1751 a Vila do São Pedro De Rio Grande caiu sob o domínio espanhol, sob o qual permaneceu por 13 anos, quando em abril de 1776, o governo português reconquistou a Vila, graças à ação do sargento-Mor Rafael Pinto Bandeira. Em 1835, a Vila do Rio Grande de São Pedro passou a denominar-se Cidade do Rio Grande.

Cronologia dos primeiros anos

  • 1737 – Fundação oficial da atual cidade do Rio Grande, com a chegada em 19 de fevereiro da esquadra de guerra comandada pelo Brigadeiro José da Silva Paes.
  • 1737 – Construção do forte Jesus-Maria-José. Primeira fortificação militar assegurando a presença portuguesa no Rio Grande do Sul. Localizado nas proximidades da atual praça Sete de Setembro.
  • 1737/38 – Construção do forte de Nossa Senhora de Santana do Estreito, localizado nas proximidades da atual Hidráulica. Estendia-se entre as margens do Saco da Mangueira e a Lagoa dos Patos.
  • 1737 – Primeiro poço de captação de água, onde hoje está a praça Sete de Setembro, que até 1829 era chamada de praça do Poço.
  • 1747 – Criação da Vila do Rio Grande de São Pedro. A vila foi oficialmente instalada em 16 de dezembro de 1751 junto com a Câmara de Vereadores (a mais antiga do Rio Grande do Sul), nascendo o poder público gaúcho.
  • 1751 – Implantação da Câmara de Vereadores da vila do Rio Grande. Rio Grande foi a capital administrativa do Rio Grande do Sul desta época até o ano de 1763.
  • 1752 – Começam a migrar dos Açores colonos que fundariam várias cidades do Rio Grande do Sul. Em Rio Grande, chegaram a representar até 75% da população. Uma planta de 1747 prevê a chegada dos açorianos e planifica a distribuição dos lotes urbanos.
  • 1755 – Construção da atual catedral de São Pedro, prédio que permanece em uso desde sua construção. É a edificação mais antiga do Rio Grande do Sul. Em seu interior ocorriam sepultamentos.

Fontes: site da Prefeitura do Rio Grande; Cronologia Básica da História da Cidade do Rio Grande (1737-1947), do professor da Furg, doutor em História Luiz Henrique Torres

Há 50 anos

Conselho da UFPel concede título de Doutor Honoris Causa a Ney Braga

Em meados de fevereiro de 1976, considerando as diretrizes adotadas pelo então titular do Ministério da Educação e Cultura, o Conselho Universitário da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) decidiu, por unanimidade, conceder ao ministro Ney Braga o título de Doutor Honoris Causa. À frente do MEC entre 15 de março de 1974 e 15 de março de 1978, nomeado pelo presidente Ernesto Geisel, Braga conduziu a pasta com ênfase na reestruturação do ensino superior e na consolidação do sistema educacional brasileiro durante o regime militar.

General-de-brigada e político paranaense, defendia a renovação do ensino como eixo estratégico para o desenvolvimento nacional. Naquele contexto, o Ministério era apresentado como expansionista e qualificador dos cursos de pós-graduação.

Infraestrutura

Para o ministro, a capacitação do pessoal técnico e administrativo era condição indispensável à eficácia do planejamento educacional. Outro ponto central da programação do MEC era a expansão e melhoria da infraestrutura física.

Na UFPel, os reflexos dessas políticas eram perceptíveis. À época, o reitor Delfim Silveira destacava o aumento substancial de recursos destinados a pessoal e obras. Oportunizando um ciclo de crescimento institucional, de acordo com o reitor.

Aula inaugural

Ainda naquele ano, a comunidade acadêmica aguardava a visita do professor Edson Machado de Souza, diretor do Departamento de Assuntos Universitários do MEC. Souza foi convidado para proferir a aula inaugural dos cursos de pós-graduação, entre os dias 18 e 19 de março.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

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