Uma discussão proposta pelo vereador Rafael Amaral (PP) na Câmara de Vereadores de Pelotas, na última quinta-feira, jogou luz a um debate necessário: há que se repensar o modelo de gestão de saúde primária atualmente? O tema gerou uma discussão interessante e produtiva no plenário e a provocação realmente pode gerar uma reflexão para o futuro. Talvez reduzir o número de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) seja uma medida impopular ou até desnecessária, mas é fato que a regionalização é o caminho.
Capacitar equipes para amplo cuidado, talvez 24 horas, em pontos estratégicos da cidade, com especialistas, pronto-atendimento, possivelmente até reduzisse a necessidade da cidade ter tantas unidades básicas. O argumento de Amaral na tribuna é justamente que quantidade não é qualidade, em uma lógica de “menos é mais” diante das constantes críticas às atuais unidades. Talvez isso possa ser suprido por novas Ubais, UPAs ou um novo modelo. Talvez as UBSs se transformem em espaços para o acolhimento social e preventivo, como tão bem executam hoje, com programas de bem-estar como sua função primordial.
Obviamente isso não é uma discussão para ter resultados amanhã, já que são temas que precisam ser bem maturados. Só que sabe-se que hoje o morador precisa correr para apenas duas Ubais, uma UPA, ou cair na fila do Pronto-Socorro quando algo um pouco mais grave acontece. Mas remeter-se a especialistas, nova espera. A saúde é, basicamente, feita por filas no modelo atual. Por isso ele pode muito bem ser repensado. Refletir, criar e pensar em possibilidades não é crime, pelo contrário. Cair na mesmice e no “sempre foi assim e todo mundo faz assim” é que é perigoso.
O debate é antigo e não será resolvido em breve. Mas, se a saúde é um eterno fator de descontentamento da comunidade, repensá-la é fundamental. Pelotas é uma cidade de inovação e a saúde é justamente o grande solo fértil desse setor. Pensar no serviço público como um possível impactado positivamente por isso é o caminho natural.
