O Carnaval de rua e de passarela de Pelotas começa oficialmente nesta sexta-feira (13) com um momento dedicado à ancestralidade e às raízes afro-brasileiras. A partir das 17h30min, a Esquina do Axé e Manifestações Populares, no encontro das ruas Quinze de Novembro e Lobo da Costa, no Largo do Mercado Central, recebe o Encontro de Tambores, iniciativa da Liga dos Blocos e Cordões Carnavalescos de Pelotas, com apoio da prefeitura, por meio do Gabinete da vice-prefeita Daniela Brizolara (PSOL).
Com presenças confirmadas dos afoxés Africanidade e Afropel, do coletivo Batucantada e do mestre griô Dilermando Freitas, o ato contará ainda com a Benção de Oxum, orixá padroeira da cidade. A organização deseja que a comunidade se aproprie do evento, leve seus tambores, surdos e sopapos para marcar simbolicamente a abertura da folia.
Segundo a presidente da Liga, Kitanji Goulart, a proposta nasceu após a entidade ser procurada, em 2024, pelo Afropel, primeiro grupo de afoxé da cidade. “Todo Carnaval começa com o reconhecimento à ancestralidade. Queremos resgatar nossas origens e reafirmar a força dos tambores, para que a gente possa soar o som do coração e continue fazendo um grande Carnaval na cidade. É a primeira vez, mas a gente espera que se torne uma tradição da cidade”, fala Kitanji.
Mulheres à frente
Com 61 blocos associados, além de agremiações independentes, a Liga projeta um fim de semana intenso e integrado à programação da passarela, que já registra lotação máxima nos desfiles. Após o Encontro de Tambores, a agenda segue com a Sexta Black no Largo do Mercado Central, a partir das 19h. No bairro Porto, a partir das 20h, o Rajada BPM desfila pela rua Conde de Porto Alegre esquina com Álvaro Chaves.
Para Kitanji, segunda mulher a presidir a entidade, o tema da Liga deste ano – Eu Sou o Carnaval – reforça o protagonismo feminino na organização da festa. “O feminino que promove o carnaval. Temos na verdade uma invisibilidade. As pessoas adoram dizer que a diretoria da Liga é feita de mulheres e eu digo: ‘não só da Liga’. A maioria dos blocos que estão na Liga são dirigidos por mulheres”, comenta. Para a presidente, levar a padroeira no Encontro de Tambores referenda esse protagonismo feminino.
Apoio do folião
Representando mais de 60 entidades carnavalescas de rua, Kitanji ainda lembra da importância da presença e do apoio dos foliões na manutenção dessas iniciativas. “Eles se mantêm com o apoio do folião, seja comprando o abadá, seja consumindo da copa. Dá pra levar o seu cooler, mas aquilo que vai precisar a mais procura um apoiador que contribuiu, às vezes não é a copa do bloco, mas é um barzinho que tem seu nome no abadá, porque aquele empresário doou R$ 50 ou R$ 150 para o bloco poder construir aquela estrutura e, se sobrar um troco, compra o abadá”, fala.
Para a presidente o abadá, a camiseta são importantes para que se crie uma identificação. “A gente tá bonito e todo mundo se vê. O abadá não é privilégio, não é pra gente estar num lugar privilegiado, é pra gente se enxergar e ver que estamos crescendo”, diz.
Agenda integrada
Este ano a programação da Liga se integra à programação do Carnaval 2026 de Pelotas. “A agenda dos blocos de rua é integrada nesse final de semana com o da passarela, não há nenhuma divergência. Não é à toa que no finalzinho do domingo vamos estar lá no Porto, do ladinho da passarela. Terminou a BatuCantada, que desfila no Quadrado, vai pra passarela. A gente tá feliz, não temos blocos pequenos”, fala.
No sábado (14) desfilam os blocos tradicionais: Jacaré da Lagoa, às 15h na rua Quinze de Novembro, a partir da Sete de Setembro até a avenida Bento. Também no Centro Histórico, o Bloco do Museu e o Cordão Carnavalesco do Ponto Chic, às 15h30min, no Calçadão da Sete de Setembro.
Domingo o Bloco do Mapa concentra na Quinze de Novembro com Sete de Setembro, às 15h, e o Bloco da Batu, do Coletivo BatuCantada, às 16h, no Quadrado. E na praça Aratiba, no balneário dos Prazeres, às 20h, o Jacaré da Lagoa volta a desfilar.
Na terça-feira (17) de Carnaval acontece o encontro dos blocos Tira a Corda do Meu Bloco e Tropa das Perigosas, com concentração no Beco da Cultura, às 10h, no Centro Histórico.
