PSD destitui Carlos Júnior após aproximação com o Executivo

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

PSD destitui Carlos Júnior após aproximação com o Executivo

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A sequência começa na Secretaria Municipal de Esportes. A indicação de Paulo Lobo, nome de confiança do vereador Carlos Júnior (PSD), alterou o posicionamento político da pasta. A secretaria deixou a área de influência de Cesinha (PSB), hoje na oposição, e passou a operar em maior sintonia com o Executivo. O gesto reforçou um movimento que já vinha sendo observado nos bastidores: a atuação de Carlos Júnior em um campo do PSD mais aberto ao diálogo com o governo municipal.

Essa posição não é nova. Carlos Júnior já mantinha proximidade com a ex-prefeita Paula Mascarenhas e com setores do partido identificados como mais centristas. A mudança na Secretaria de Esportes não criou essa relação, mas se somou a outros fatores que passaram a incomodar uma ala interna do PSD, especialmente aquela mais resistente a qualquer tipo de aproximação com o Executivo.

O reflexo apareceu na Câmara. Na sessão de terça-feira, o tema surgiu de forma organizada. O líder do PSD, Daniel Fonseca, representante da ala mais à direita do partido, solicitou a leitura em plenário de um documento que tratava da reorganização das comissões permanentes. Logo após, Cesinha pediu a interrupção da sessão para que fossem realizadas imediatamente as reuniões das comissões envolvidas.

As reuniões ocorreram em sequência e resultaram na retirada de Carlos Júnior da presidência da Comissão de Desporto e das vice-presidências que ocupava nas comissões de Direitos Humanos e de Cultura e Turismo. O documento lido em plenário classificou as decisões como “deliberação interna” e exercício regular da autonomia partidária, sem menção a punição ou medida disciplinar. Entretanto, basta ligar os pontos.

Não há, nos atos formais, qualquer menção a punição ou contragolpe. Porém, a sequência dos fatos conecta a aproximação de Carlos Júnior com o Executivo, materializada na indicação de Paulo Lobo para a Secretaria de Esportes, com a reação interna do PSD no Legislativo.

Veto ao toxicológico

Os exames toxicológicos voltaram a ser pauta na Câmara. Na última sessão, as comissões de Constituição de Justiça e de Orçamento e Finanças deram parecer pela derrubada do veto do governo Marroni ao Projeto de Lei que define regras para a realização periódica, apresentação e disponibilização do resultado de exames por agentes políticos da cidade. A prefeitura havia vetado integralmente o projeto alegando três pontos principais: vício de iniciativa (por entender que a Câmara invadiu competência do prefeito), violação à separação dos poderes e afronta à intimidade, com menção a riscos ligados a dados sensíveis, com destaque para problemas relacionados à proteção de dados.

No veto, o Executivo também registrou preocupação com o destino dos resultados dos exames. Pelo texto aprovado, as informações não seriam encaminhadas a uma comissão técnica ou de saúde, com profissionais habilitados para tratar dados dessa natureza, mas ficariam sob responsabilidade política do prefeito ou do presidente da Câmara. Para o governo, esse desenho fragilizava o sigilo e ampliaria o risco de uso inadequado de dados pessoais sensíveis, o que reforçou a fundamentação baseada na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Com os pareceres favoráveis nas comissões, o veto segue agora para plenário, onde os vereadores decidirão se mantêm ou derrubam a decisão do prefeito. Ou seja, tudo indica que será mais um caso judicializado.

Audiência adiada

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara suspendeu a audiência pública que ouviria o secretário de Planejamento e Gestão, Salvador Martins, prevista para esta terça-feira, e manteve a convocação em aberto enquanto aguarda resposta do Ministério Público a um convite para acompanhar a agenda em plenário ou designar representante. Segundo a própria Câmara, o convite foi encaminhado ao promotor José Alexandre da Silva Zachia Alan por iniciativa do presidente da Comissão, vereador César Brisolara (PSB), após o secretário informar, na convocação anterior, que remeteu o conteúdo recebido ao MP e solicitou investigação sobre possíveis interferências do Executivo no Legislativo, citando tanto o caso do afastamento da vereadora Fernanda Miranda quanto a eleição da Mesa Diretora. A coluna apurou que a ordem foi dada nos bastidores por uma figura bastante influente na política local.

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