Bolsa Família atende 14,6% dos moradores de Pelotas

Benefício

Bolsa Família atende 14,6% dos moradores de Pelotas

Programa alcança mais de 72 mil pessoas na soma com Rio Grande

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Bolsa Família atende 14,6% dos moradores de Pelotas
Em Pelotas, 3,8 mil famílias também recebem o auxílio gás.m (Foto: Jô Folha)

O Bolsa Família atende atualmente uma parcela significativa da população das duas maiores cidades do sul do Rio Grande do Sul. Em fevereiro de 2026, 47.485 moradores de Pelotas recebem o benefício, o que representa cerca de 14,6% da população do município (325.689 habitantes).

Em Rio Grande, são aproximadamente 25.126 beneficiários, equivalente a 13,1% dos 191.900 moradores. Os dados mostram a dimensão do programa na região e revelam diferenças tanto no alcance quanto na gestão das políticas sociais.

Em números absolutos, Pelotas lidera o atendimento. O município soma 19.578 famílias beneficiadas, com investimento mensal de aproximadamente R$ 13 milhões e benefício médio de R$ 665,49 por família. Já Rio Grande registra 9.142 famílias atendidas, com cerca de R$ 6 milhões em repasses mensais e média de R$ 659,77 por família.

Nos dois municípios, o principal pagamento é o Benefício de Renda de Cidadania, de R$ 142 por integrante, além de adicionais como o benefício para primeira infância e complementação de renda.

Auxílio Gás

Outro programa complementar, o Auxílio Gás, também apresenta diferença expressiva. Pelotas tem 3.822 famílias beneficiadas, somando cerca de R$ 420 mil em repasses. Em Rio Grande, são 145 famílias atendidas, com investimento aproximado de R$ 15,9 mil.

Educação

O acompanhamento da frequência escolar, uma das exigências do programa, tem resultados positivos nas duas cidades. Pelotas registra 93,4% de cobertura na educação, acima da média nacional (89,2%).

Rio Grande também supera a média do país, com 90% de acompanhamento escolar. Mesmo assim, em Pelotas a frequência efetiva dos estudantes ainda fica abaixo da média nacional em algumas faixas etárias.

Saúde

Na área da saúde, os desafios são mais evidentes. Pelotas apresenta 39,1% de acompanhamento de crianças menores de 7 anos, índice considerado baixo em comparação à média nacional (61,1%). Entre mulheres beneficiárias, a cobertura chega a 81,8%. Em Rio Grande, a cobertura geral de acompanhamento em saúde é de 75,3%, também abaixo da média nacional, mas superior ao índice observado entre crianças em Pelotas.

CadÚnico

Pelotas possui 57.289 famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), com 87,2% de atualização cadastral, percentual ligeiramente abaixo da média nacional. Rio Grande tem 41.917 famílias cadastradas e 90,5% de atualização, índice próximo ao nacional.

Sem respostas

A reportagem tentou entrar em contato com a titular da secretaria de Assistência Social de Pelotas, Roberta Melo, para uma avaliação dos dados, mas foi informada pela assessoria de imprensa da prefeitura que naquele momento não seria possível dar uma resposta. A responsável pela pasta em Rio Grande, Dianelisa Peres, também não deu retorno até o fechamento desta edição.

Lupa na região

Para ampliar o panorama regional, os dados mostram que o peso do Bolsa Família varia bastante entre os municípios da Zona Sul. Cidades menores tendem a ter proporção maior de moradores atendidos. Herval lidera com cerca de 33% da população beneficiada, praticamente um a cada três moradores. Na sequência aparecem Santana da Boa Vista, Capão do Leão e Pedro Osório, todos com cerca de um quarto da população no programa.

Já os maiores centros urbanos têm participação proporcional menor: Pelotas (14,6%) e Rio Grande (13,1%) ficam abaixo de várias cidades menores, embora concentrem os maiores números absolutos de beneficiários. Na outra ponta, Arroio do Padre (3,4%), Chuí (10,8%) e São Lourenço do Sul (11%) apresentam as menores proporções da região.

Vice-prefeito de Herval explica cenário

Em manifestação à reportagem, o prefeito em exercício Rodrigo Dutra (PP) afirma que o alto número proporcional de beneficiários do Bolsa Família no município está ligado a fatores históricos e econômicos. Segundo ele, a emancipação de Pedras Altas, a presença de assentamentos rurais, a base produtiva concentrada na agropecuária e a baixa industrialização limitam a geração de empregos e renda.

Dutra também destaca a dependência de transferências públicas, os impactos frequentes de eventos climáticos extremos e o isolamento logístico da cidade. A prefeitura afirma investir em infraestrutura urbana e rural, além de projetos estruturantes, tais como a pavimentação da ligação com Aceguá e a possível instalação de um parque eólico. O objetivo, segundo a administração, é estimular a economia local e reduzir a dependência de programas sociais.

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