“Salvar e proteger”. O lema que rege o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) seguiu presente na rotina do Capitão Rodrigo Gomes durante suas férias. O bombeiro é natural de Bagé, atualmente trabalha em Pelotas e atua como guarda-vidas desde 2013, mas estava de férias em Bombinhas, em Santa Catarina, quando precisou entrar em ação, cumprindo seu dever em um momento que era para ser de descanso.
Em entrevista à Rádio Pelotense, o capitão explica que chegou até a praia e logo percebeu a agitação de uma família que estava dentro da água, mas em uma parte afastada dos demais banhistas, mais ao fundo. “Quando eu cheguei no local, a primeira coisa que o guarda-vidas, que já é um pouco mais veterano faz é olhar todo o ambiente. Logo avistei essa família e vi que passavam por alguma dificuldade”, conta Rodrigo.
Segundo ele, o homem estava acompanhado da filha, de cerca de 9 anos, e do filho, onde se revezavam em uma prancha de bodyboard, sem os devidos equipamentos para a prática do esporte. “Corri em direção à água e, quando cheguei até eles, verifiquei que eram argentinos e falei com o pai. Me identifiquei como guarda-vidas e pedi tranquilidade, dizendo que iria ajudar. O pai pediu que eu, primeiro, resgatasse a filha”, descreve o capitão. Ele conta ainda que deixou a criança em segurança na margem e retornou para salvar o outro filho do casal e o pai, mas que o pai não precisou ser resgatado.
Apesar das imagens mostrarem um mar calmo, diferente do observado na praia do Cassino, por exemplo, o bombeiro reforça que nenhuma situação de afogamento é calma, seja onde for. “Imagina você estar com a sua família, dentro de um mar lindo, com águas calmas e pensar em um primeiro momento que não vai mais sobreviver? Então é tranquilo para quem está assistindo sentado, no momento em que a pessoa está numa situação de risco é extremamente complicado”, reforça. Todos os socorridos ficaram bem e agradeceram pelo resgate.
O vídeo com o resgate viralizou através das redes sociais, com ampla comoção popular e destaque para a atuação heroica do bombeiro.
Proteção
Em sua fala, o capitão Gomes reforça a necessidade de atenção dos banhistas, tanto em águas de mar ou em águas abrigadas, para a prevenção antes mesmo que aconteça o sinistro de afogamento. Ele também afirma que, muitas vezes, o que causa o afogamento é o susto, reforçando o pedido para que se mantenha a tranquilidade.
Entre as indicações, o bombeiro destaca que os banhistas optem por entrar no mar ou em lagoas próximos aos guarda-vidas. “Diferente do Rio Grande do Sul, as praias de Santa Catarina são bem extensas e, às vezes, a casinha de guarda-vidas está muito longe. Então fica muito inviável até para o guarda-vidas ver possíveis vítimas. Tendo a possibilidade, deve-se sempre escolher estar perto”, diz.
Gomes também destaca a necessidade de orientação dos pais para que os filhos tenham cuidado ao entrar na água. “Cabe muito aos pais responsáveis conversarem com os jovens. A gente tem que respeitar aquilo que nós não conhecemos e estar atentos às bandeiras”, reforça.
