Há 60 anos
Funcionário da prefeitura de Pelotas desde janeiro de 1951, Daniel Moraes trabalhava como químico do Gasômetro Municipal e como químico do serviço de controle de tratamento de água de abastecimento público. Posteriormente, com a criação do Serviço Autônomo de Água e Esgotos (SAAE), em 1966, o camaquense foi nomeado diretor geral da Autarquia, onde desenvolveu na década de 1970 com uma administração considerada dinâmica e intensa de atividades. Os projetos de Moraes contribuíram para que a água tratada chegasse a 95% da população de Pelotas, naquele período.
Moraes se formou em 1948, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A experiência profissional foi adquirida na Hidráulica dos Moinhos de Ventos, na capital. Também realizou em 1950 uma especialização na Itália, fez cursos nos Estados Unidos e em outros países, conhecimentos que trouxe para Pelotas, a partir de 1951.

ETA do Santa Bárbara foi criada no período de Moraes no SAAE. (Foto: Reprodução)
Preocupação com o saneamento
Preocupado com os problemas de saneamento em Pelotas, dedicou-se a criar projetos e a fazer obras em benefício da comunidade pelotense. Como Diretor da Diretoria de Águas e Esgotos realizou obras significativas na Represa Moreira, com o emprego de bombas centrífugas, conseguindo um aumento de um milhão de litros diários de água, melhoramentos gerais em toda a Estação de Tratamento e ampliação do parque. Ainda na sua administração, renovou todos os filtros lentos de areia, promoveu a construção da Caixa D’água do Fragata, a extensão de cerca de 15 quilômetros de redes de água na Vila Gotuzzo, a represa do Capão do Leão e extensão da rede de água naquela localidade que na época era distrito de Pelotas.
Moraes ainda, promoveu, através Convênio com DNOS e a CEEE, a eletrificação da ETA Reservatório Sinnott e da Usina de Recalque do Arroio Pelotas.
Projeto turístico
Como Diretor Geral do SAAE, teve oportunidade de realizar uma das maiores obras de abastecimento de água de Pelotas, na época, a moderna ETA do Santa Bárbara, que contribuiu para resolver um angustiante problema da falta de água no município. A proposta era também que o local se transformasse em atração turística de Pelotas.
Realizou, ainda, obras de ampliação do abastecimento de água na ETA Reservatório Sinnott, com a construção de duas novas Casas de Bombas, a nova Captação de Água do Arroio Pelotas, com o emprego de eletrobombas, ampliou e reformou as rêdes de distribuição de água, no centro e nos bairros da cidade, construiu grandes extensões da rede de esgotos e assegurou o fornecimento de água aos Balneários Santo Antônio Valverde e Barro Duro, à Colônia de Pescadores, antigamente chamada do Arroio Sujo, ao Jardim América, mediante a perfuração de poços semi-artesianos.
Fonte: Pelotas, destaques 70, editado por Miguel Tarnac da Rocha
Há 100 anos
Projetada no final da primeira década do século 20, rua oficialmente aberta em 1926
Aberta oficialmente em 1926, a rua Vereador Boaventura Barcelos foi projetada em 1910. De acordo com o pesquisador Coronel Alberto Rosa Rodrigues, na publicação As primitivas ruas de Pelotas, volume do Cadernos do Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas, essa via integra o loteamento realizado pelo Sindicato Moreira e Cia, que loteou os terrenos da antiga charqueada do comendador Heliodoro de Azevedo e Souza, a partir de 1910.
O plano foi apresentado pelo urbanista Fernando Rullmann, que fazia parte da administração municipal do médico Pedro Luiz Osório, que ocorreu entre 1920 e 1924. De acordo com Rodrigues, essa via pode ser considerada precursora da avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, porque o plano inicial era projetar uma avenida que desse fluxo para o centro da cidade. “Pois basta concluir a ligação, para terminar aquele plano imaginado no segundo decênio do século passado”, escreveu Rodrigues no livro publicado em 2022.
Títulos e controvérsias
Na obra Os passeios da cidade antiga, o historiador Mario Osorio Magalhães lembra que Boaventura Barcelos nunca foi vereador. A confusão aconteceu, porque Barcelos foi eleito vereador, em 1832, juntamente com o irmão Cypriano Barcelos. Na época a lei impedia que irmãos ocupassem o mesmo cargo, Cipriano, que era mais velho, foi empossado.
Boaventura foi veador de sua Majestade, a imperatriz Teresa Maria Cristina de Bourbon. Sua função era ver e fiscalizar, com antecedência, os corredores, salas e quartos que fossem visitados pela imperatriz. A medida servia para que Teresa Maria pudesse ir a esses locais em segurança.
Fontes: Os passeios da cidade antiga, de Mario Osorio Magalhães; As primitivas ruas de Pelotas, 5º volume do Cadernos do Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas, de Coronel Alberto Rosa Rodrigues