Nos últimos dias, a região Sul tem encarado um dos problemas mais recorrentes com as temporadas de seca e maior aquecimento, que são os incêndios em vegetação. Com as altas temperaturas registradas na última semana, diversos focos precisaram ser controlados pelas equipes do Corpo de Bombeiros. Só em Pelotas, foram ao menos 15 ocorrências atendidas em uma semana.
A maioria dos registros ocorre nas proximidades das BR’s e locais em que há contato com a população. A extensão territorial da Zona Sul, aliada ao terreno predominantemente plano e com ventos consideráveis, que espalham as fagulhas e ampliam as áreas de chamas com maior rapidez, são um diferencial preocupante da região.
Além das dificuldades que estão relacionadas com o território, pois muitas vezes os incêndios atingem grandes extensões de mata, o Corpo de Bombeiros também enfrenta o pouco efetivo e a distância até as ocorrências, muitas vezes necessitando de auxílio de outras brigadas de incêndio e voluntários.
Registros do fim de semana
A influência da onda de calor que atingiu o Rio Grande do Sul na última semana impactou o solo de todas as regiões, mesmo as que, assim como a Zona Sul, não estavam sob alerta direto para o aumento das temperaturas.
Com a baixa umidade do ar, nenhum registro de chuva em volumes consideráveis nas últimas semanas e o predomínio das temperaturas elevadas, a vegetação da região está propícia para sinistros. Foi o que ocorreu no fim de semana, com diversos focos de incêndio sendo combatidos pelas equipes do Corpo de Bombeiros e da Ecovias Sul.
Um incêndio em vegetação também assustou moradores do Laranjal na tarde de sexta-feira. As chamas atingiram uma área próxima à estrada do Pontal da Barra e provocaram uma intensa fumaça, que prejudicou a visibilidade em diversos pontos do bairro. O fogo teria começado após o descarte de lixo às margens da via.
No mesmo dia, um outro incêndio foi registrado em uma área de vegetação nas proximidades da Cascata, em Pelotas. As chamas teriam iniciado por volta das 18h, no km 92 da BR-392 e contou com o combate de equipes da Ecovias Sul e dos bombeiros de Canguçu. O risco de árvores cair sobre a pista fez com que o trecho passasse por uma interrupção, sendo liberado após extinto o fogo.
Na tarde de sábado, o fogo concentrou-se nas proximidades da ponte sobre o canal São Gonçalo, no km 60 da BR-392, na divisa entre a cidade e Rio Grande. Apesar da fumaça ter encobrido a pista, o trânsito fluiu normalmente no local.
Já no domingo, um foco de incêndio em vegetação foi atendido pelo Corpo de Bombeiros na ERS-734, no sentido Cassino-Centro.
Em nenhuma destas ocorrências houve registro de feridos.
Principais causas
Em análise ao cenário recente, o Corpo de Bombeiros, através da Comunicação Social do 3º BBM/3º CRBM de Rio Grande, explica que praticamente todos os incêndios deste tipo são causados por interferência humana, seja ela direta ou indireta. Apesar das condições de seca, a vegetação não atinge temperatura suficiente para pegar fogo de forma isolada.
Entre as principais causas diretas da ação humana nestes casos está o uso de fogo para limpeza de terrenos e o descarte irregular de itens como lixo e bitucas de cigarro que, além de causarem dano ambiental por contaminação, caso estas últimas não estejam bem apagadas, podem iniciar um foco de incêndio. Já nas indiretas são listadas situações como faíscas e fagulhas que podem surgir de atritos entre veículos e pista, ou outros objetos, que em contato com as vegetações, podem dar início aos sinistros.
Medidas preventivas
Para impedir incêndios em vegetação, é recomendado que sejam criados e mantidos aceiros limpos (faixas de terra sem vegetação) ao redor de propriedades, evitar fogueiras e queimadas e não jogar bitucas de cigarro em áreas verdes. Também é essencial manter o lixo orgânico limpo e monitorar a umidade do solo, especialmente em períodos de tempo mais seco, como o que está sendo vivido pela região.
A Lei 9.605/98, chamada de Lei de Crimes Ambientais, prevê multas e até prisão para quem provocar incêndios na mata ou floresta. Já a Lei 4.771/65, que institui o Código Florestal brasileiro, determina que, para o uso do fogo controlado, o cidadão deve antes entrar em contato com o Ibama.
