Vivemos em uma era de conteúdo sob demanda. Em que os algoritmos são treinados para nos entregar o que mais nos agrada. Nossas timelines são preparadas para entender o que gostamos e replicar esse modelo. E isso é extremamente perigoso. Porque a reflexão que a opinião contrária traz é fundamental para desenvolver o raciocínio lógico e o pensamento crítico. Quando se consome apenas o que você acredita, anda em círculos. Não aprende nada diferente. Tal qual comer sempre a mesma comida, sem nunca dar chance a sentir outro sabor. Seja na rede social, seja para filmes, séries e música, a repetição do algoritmo mantém o usuário em uma bolha de conforto, mas de ilusão de que tudo é só aquilo ali mesmo.
Compreender que o mundo é muito maior do que aquilo que enxergamos é uma maneira de evoluir intelectualmente. Surpreender-se com o “além” é ampliar nossos horizontes, desenvolver novas curiosidades e novos gostos. A imprensa, tantas vezes criticada, também tem esse papel, de procurar o diferente, de confrontar visões estabelecidas e apresentar versões diferentes, justamente para que o leitor faça sua própria intepretação dos fatos. Por isso, o jornalismo feito por pessoas é tão essencial, diante de uma crescente de conteúdos produzidos por Inteligência Artificial. Ao contrário do script desenhado, o ser humano traz uma visão confrontadora dos fatos, que pode desagradar, e tá tudo bem.
Discordar não é só um elemento democrático essencial, é também um exercício de desenvolvimento intelectual. Forma-se o pensamento, o argumento e a contra-resposta. A internet nos adoeceu para um caminho em que a discordância é vista como embate, mas não necessariamente. São apenas visões divergentes, que são saudáveis para propor reflexão. Quando se consome única e exclusivamente algo que lhe agrada, esse exercício não é feito e há um empobrecimento de raciocínio. Por isso, em tempos de conteúdos tão mastigadinhos, abrir espaço para consumir o que diverge de suas crenças é um exercício de inteligência e evolução.
